(I)Mobilidade

“Vamo-nos aproximando de um novo colapso financeiro”, palavras de Francisco Louçã. Importa-se de repetir?

12 Dez 2017 / 02:00 H.

1. Acabadinha de sair a compilação dos Rolling Stones “On Air, que reúne 32 faixas gravadas na BBC entre os anos de 1963 e 1965. No meio umas quantas pérolas: covers de Chuck Berry e de Muddy Waters. A ouvir, a ouvir, a ouvir...

2. Yukio Mishima é um dos meus autores fetiche. Pela sua escrita mas também pela sua vida. “O Templo Dourado” mostra, à maneira de Mishima, o quanto de divino vive em cada um de nós.

3. Meu caro Sr. Vice-Presidente,
Em primeiro lugar deixar bem claro que acho que não vai levar a mal o que a seguir se escreve. Faço-o, neste momento refundador do Subsídio de Mobilidade, com espírito de missão e sabedor que na pior das hipóteses não vai achar piada nenhuma.

São só umas linhas com sugestões práticas pois acho que a tal de Comissão deveria ter em conta o abaixo descrito para uma boa, senão excelente, burocratice.

Ora cá vai então:

O cidadão viajante, viaje ele para o Porto Santo ou para fora do Arquipélago, depois de deixar passar os seis meses (que me parecem bem, não se vá dar o caso de haver uns espertos que queiram subverter o sistema inventando viagens pagas com cartão de crédito), devia dirigir-se a uma repartição de finanças e pedir uma declaração autenticada de IRS.

Munido deste documento teria que ir ao sítio das finanças regionalizadas na Internet e pedir uma declaração especial de mobilidade atestada pelo Director Regional de Finanças.

Com estes dois documentos já poderia dar início ao processo, dirigindo-se a uma estação dos CTT acompanhado dos documentos complementares: atestado de residência; cartão de cidadão ou, então e na falta deste, bilhete de identidade e cartão de contribuinte; o ticket com o número do lugar onde se sentou a bordo do avião, ou o mesmo em relação à zona do Lobo Marinho que frequentou; a factura reconhecida notarialmente; a composição do agregado familiar, se viajou em família, reconhecida pela junta de freguesia da área de residência e com o testemunho atestado por, pelo menos, três vizinhos; passaporte, se ficar mais do que três dias no Porto Santo; um comprovativo bancário devidamente assinado e carimbado que ateste o número do IBAN, que essa coisa do NIB já era; uma poncha de maracujá ou ¼ de litro de vinho do Porto Santo que é para se ir entretendo enquanto apanha a seca do costume.

Os CTT passariam então uma declaração que teria que ser entregue na repartição de finanças da área de residência, que teria de ser carimbada e devidamente assinada pelos serviços respectivos da Vice-Presidência.

Fica terminantemente proibido fazer caso de afirmações idiotas de administradores não-executivos da TAP sob pena de ter que pagar as passagens por inteiro.

Depois de tudo isto deixavam-se passar mais uns três meses e os serviços dariam a ordem de transferência bancária de modo a que os subsídios fossem processados.

NOTA: se V. Exa. achar tudo isto muito confuso pode sempre falar com o seu colega da Secretaria Regional da Agricultura e Pescas que num instante ele arranja-lhe um Plano Estratégico para a Mobilidade. Vai ver que vale a pena embora tenha que ter mão na coisa uma vez que este secretário tende a entusiasmar-se e vem logo com uma data de Planos Estratégicos por ali abaixo.

Grato pela atenção

Atenciosamente

4. Carlos Pereira, o do PS, desafiou a candidatura bicéfala de Câmara/Cafôfo para um debate, considerando que a discutir teria que o fazer com os dois. Com Câmara falaria do partido e com Cafôfo de assuntos de governança. Foi bem jogado uma vez que isso nunca irá acontecer por motivos mais que evidentes.

5. O Ministro da Defesa não sabia que o Plano de Defesa Europeia era secreto. O Ministro da Defesa sabia muito pouco das armas roubadas em Tancos. O Ministro da Defesa não acha estranho que se tenham recuperado as armas e ninguém tenha sido preso por isso. O Ministro da Defesa da Geringonça é um patarata.

6. “Vamo-nos aproximando de um novo colapso financeiro”, palavras de Francisco Louçã. Importa-se de repetir?

7. A trumpice de passar a embaixada americana de Telavive para Jerusalém só lembra ao Diabo. Trump anunciou a coisa como se estivesse a falar da sede de uma Junta de Freguesia. Ele era arquitectos e a qualidade e beleza da decoração. Enfim, a trampa do costume. A decisão de não haver embaixadas em Jerusalém (mesmo que bonitinhas e bem decoradas por arquitectos) ultrapassa os desejos americanos, pois foi uma decisão da ONU, por eles também aprovada. Ou começamos todos a cumprir com os tratados internacionais que assinamos ou não vamos a lado nenhum. É só mais uma imbecilidade do presidente americano. Com uma agravante: aumentará certamente a tensão internacional. E sem necessidade para tal. Que a paz na região é podre todos o sabemos. Menos aquele idiota que anunciou a deslocalização como uma iniciativa de paz.

8. Não há como negá-lo, sou sempre um apoiante incondicional de qualquer português que se candidate a um organismo internacional. Fui assim com Durão Barroso. Achei que era uma excelente oportunidade de nos livrarmos dele. Como europeu que é devia ser aturado por todos e não só pelos seus conterrâneos. Fiz o mesmo com a proposta do nome de Carlos Moedas para Comissário Europeu. Na altura lembro-me bem de ter proposto que o Bruno “dick pic” Maçães fosse enviado como brinde porque nem para escrever bem maçãs no plural se servia. Agora com este rapaz Centeno fico-me naquela. É que ele vai para presidente do Eurogrupo mas volta todas as vezes que lá for. E isso chateia-me. Chateia-me porque bem podia lá ficar. Mas percebo que com aquele ar de rapazola a “Europa” só o queira em doses homeopáticas. Está sempre a rir o nosso Mário. Tem assim um ar meio que amalandrado. Eu se fosse ao “nosso” Centeno e para arrepiar caminho dizia já que “os países do norte não podem gastar o dinheiro todo em poupança e fundos de pensões”. O “nosso” Jeroen Dijsselbloem à vez, vai ser ora Ministro das Finanças de Portugal, ora Presidente do Eurogrupo. Isto faz-me lembrar aquela rábula da Ivone Silva da “Olivia Patroa vs Olivia Costureira”...

9. Esta coisa das esplanadas começa a passar os limites da razoabilidade. É um “veni vidi vici” despudorado. As licenças camarárias são para a utilização de um espaço que é público, que é de todos nós funchalenses. Utilização não é apropriação. E coisas como estas começam a ver-se por todo o lado. São barreiras físicas que vão do acrílico a verdadeiros portões. Está isto fiscalizado? Estão cumpridos os preceitos legais? É que se a lei permite isto é uma lei desavergonhada!

Nuno Morna

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