Gustavo, Diogo, Joana Deus não dorme!

Convoco a alma do Diogo Camacho, do Gustavo e a dor da Joana. Sabem, Deus e a justiça divina não dormem enquanto os homens chafurdam na terra

07 Jan 2018 / 02:00 H.

“Paulo Cafôfo é arguido no caso da queda da árvore no Monte”-DN. 04.01.2018.

1. Num juízo de prognose – e apenas por conhecimento de factos e documentos trazidos a público - o estatuto de arguido concedido ao Paulo Cafôfo e a Idalina Perestrelo no processo de inquérito que investiga as treze mortes ocorridas no Monte no dia 15 de Agosto de 2017, era óbvio. Prognostica-se até mais. Mais recurso, menos recurso a sentença final transitada em julgado há-de ser também pressentível: condenação pela prática de 13 crimes de homicídio por negligência inerente à evidente responsabilidade objectiva de ambos.

2. Neste aspecto Paulo Cafôfo andou muito mal. Tivesse as bolas no sítio – e não as teve! – assumia essa responsabilidade política objectiva e demitia-se, então, sem espinhas. Se o tem feito e, simultaneamente, mantido a candidatura à presidência da Câmara Municipal do Funchal – ganhava-as com 80% dos votos dos munícipes do Funchal, incluindo o meu. Assim, mostrou o carácter pífio do político que efectivamente é.

3. Mais! A descarada associação do Paulo Cafôfo ao ventrículo do Emanuel Câmara trai a sua própria promessa eleitoral de levar o mandato autárquico até o ano de 2021 – trai o seu eleitorado! - e, bem pior, enfia um punhal nas costas do Carlos Pereira do PS-Madeira. Para quem se diz independente empunhando as bandeiras da “Mudança” e da “Confiança” – a coisa promete. E promete ainda mais sabendo que os estrategas desta pulhice de bastidores no interior do PS-M chamam-se Victor Freitas e um tal de “Júlio Iglesias”. Esta corja política merece que o tiro saia pela culatra.

4. Não menos corja é o porta voz do PSD-Madeira. Confrontado com esta notícia, João Paulo Marques diz qualquer coisa originalíssima como “à política o que é da política, à justiça o que é da justiça”. A João Paulo Marques – a nova geração “rasca” do PSD-M-Renovado – há apenas que dizer isto: a memória nunca vai limpar os crimes dos responsáveis do teu partido, independentemente da justiça dos homens. Ergue-te, cresce e, no mínimo, cala-te ou desaparece desta cena hipócrita.

5. Há 13 mortes no Monte e respectivas famílias totalmente destroçadas que exigem respostas políticas e judiciais dignas. Convoco a alma do Diogo Camacho, do Gustavo e a dor da Joana. Sabem, Deus e a justiça divina não dormem enquanto os homens chafurdam na terra. Nem eu até que a luz se apague no palco da voz pública.

António Fontes