Fulano, Sicrano e Beltrano...

O sucesso do meu conterrâneo deveria ser razão de motivação e não de inveja

12 Mai 2018 / 02:00 H.

O maior inimigo do madeirense é o próprio madeirense. Durante anos, como jornalista e como político, ouvi repetidamente estra frase e não concordava com o seu sentido, talvez por entender que era uma forma de manchar os nossos concidadãos. A vida e o tempo vieram demonstrar que estava errado e que, realmente, há por aí muita inveja e, sobretudo, tentativas de derrubar madeirenses que venceram em vários setores, nos planos nacional e mundial, e que deveriam ser o nosso orgulho e merecer o nosso reconhecimento. Mas acontece ao contrário: toca a deitar abaixo porque fulano conseguiu e eu falhei; sicrano tem dinheiro e eu não tenho nada; beltrano é premiado e a mim não me ligam. Se venceu foi porque teve a ajuda ou comprou alguém; se enriqueceu foi porque roubou ou tem negócio ilícito; se é reconhecido é porque meteu alguma cunha ou paga a quem o elogia.

Estes sentimentos e posturas negativas são altamente nocivos numa sociedade globalizada, cada vez mais competitiva, onde deve prevalecer o trabalho, o esforço, a visão e o mérito. Por cá, nivela-se por baixo e o bom é o que vem de fora. É a alma de escravo que alguns, infelizmente, pretendem cultivar. Os de cá de dentro se vencem é porque alguma coisa está errada. Já diz o povo que santos da casa não fazem milagres e é bem verdade, pois às vezes é preciso ir lá para fora, ver reconhecido o nosso trabalho, para então sermos valorizados na nossa terra. E mesmo assim há sempre quem ponha defeito.

Para mal dos nossos pecados, continuamos a idolatrar o que vem de fora e a desprezar o que é nosso. Ora porque desconfiamos de nós, ora porque invejamos o sucesso dos outros. Muitas carreiras foram interrompidas ou ruíram, apenas e só, porque a mesquinhez e o ciúme puseram demasiadas pedras no caminho. O chamado “meio pequeno” e a bilhardice, agora com a preciosa ajuda e amplitude das redes sociais, são o campo fértil para os que, estando mal com a vida, resolvem derramar as suas frustrações e os seus complexos, de forma anónima e cobarde, sobre aqueles que, pelo trabalho e pelo mérito, alcançam os seus objetivos. E alguns até se armam em juízes da praça pública, condenando pessoas e empresas, sem conhecer os factos e sem se olhar ao espelho, isto claro, sempre a coberto do anonimato ou de pseudónimos.

Na minha vida já perdi e já ganhei, sei o gosto da derrota e o sabor da vitória, e por isso tenho uma enorme admiração por aqueles que falham uma, duas, três vezes, mas nunca desistem. E lá vem o dia em que chegam lá, vencem e, pronto, passam a ser vítimas da ignorância e da maledicência. Muitas vezes aprende-se mais com um fracasso do que com uma vitória, sobretudo conhece-se quem são os nossos amigos e quem são os oportunistas. Assim como aprecio, especialmente, aqueles que não tendo nascido num berço de ouro conseguem subir o elevador social e afirmar-se na comunidade. O sucesso do meu conterrâneo deveria ser razão de motivação e não de inveja.

Agora que passam os 600 anos da nossa História, é uma boa altura para fazermos um esforço para mudar comportamentos e valorizar o que é da Madeira e que deve constituir motivo do nosso orgulho: os alunos que vencem Olimpíadas em várias disciplinas no plano internacional; os investigadores e cientistas que põem a ilha no mapa; os desportistas que levam o nome da terra pelo mundo fora; os escritores e poetas que enobrecem a ilha; os músicos e artistas que engradecem o arquipélago; os emigrantes que venceram a insularidade e os investidores e trabalhadores que todos os dias criam riqueza na nossa terra. Sinto orgulho quando empresários da região vencem nos difíceis e competitivos setores dos transportes, da construção, dos vinhos ou da hotelaria e ganham concursos e concessões no país e no mundo. Assim como fico feliz, sabendo que há trabalhadores madeirenses no mundo, a chefiar grandes hotéis, a dirigir startups de sucesso, a administrar multinacionais ou a assumir responsabilidades em hospitais de renome europeu. Mas é por estas bandas que temos que dar a volta. Se não formos nós a valorizar, potenciar e comprar o que é nosso, ninguém e fora virá fazê-lo. Defendo há muito que nos ajustes diretos do Governo, das Câmaras, dos Institutos e das empresas públicas devemos dar preferência às empresas da Região. São elas que pagam impostos e criam emprego nas nossas ilhas. Infelizmente, o que vejo, vai em sentido contrário. É possível, sem violar leis ou regras de mercado, privilegiar e proteger o que é nosso. Os outros fazem-no e nós de que é que estamos à espera? A Madeira Primeiro.

Escolhas

Quem?

O Museu das Descobertas. Vai uma grande polémica nacional sobre a sua criação e instalação. A Nação deveria sedeá-lo na Madeira porque foi aqui que tudo começou. A melhor forma de assinalar os 600 anos.

O quê?

O Plano Regional para Integração dos Sem-Abrigo foi apresentado. Espera-se que que passe do papel à prática, pese embora o excelente trabalho que tem sido feito por algumas IPSS.

Onde?

Em São Jorge e na Ponta do Pargo, os faróis estarão abertos para visitas gratuitas, a partir de hoje e todas as tardes até 20 de maio. Uma ocasião para ver dois dos melhores exemplares do país.

Quando?

Hoje, no Pestana Casino, fala-se de parentalidade de forma descontraída e com humor. Uma iniciativa do Diário em que parte da receita reverte para a Associação de Paralisia Cerebral, uma instituição notável.

Porquê?

Vai acabar a TUP carga que incide sobre os produtos importados e que elevam o custo de vida na Madeira. Há 4 anos que o CDS o propõe e o PSD chumba. Porquê só agora? Tempo e dinheiro perdido.

Como?

Proliferam nas redes sociais as notícias falsas. Há quem as amplie e comente sem verificar a sua veracidade. Como não percebem que um dia podem ser vítimas da “arma” que estão a usar?

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM