Férias... finalmente

Ali, na Ponte de São João, ou da Cabouqueira, a ponte não é só “uma passagem para a outra margem”. Some-se-lhe uma latada, mais uns banquinhos de jardim

07 Ago 2018 / 02:00 H.

1. Disco: de Underworld & Iggy Pop, o acabado de sair “Teatime Dub Encounters”. Uma espécie de banda sonora para a sequela de Trainspotting que resulta muito melhor do que o que o filme nos trouxe.

2. Livro: “O Homem Que Era Quinta-Feira” de G.K. Chesterton, que já anda ali na prateleira desde Fevereiro vai juntar-se a mais um ou dois para ler durante as férias.

3. Já não há pachorra para mais Silly Season. As coisas, coisinhas, as tricas e as trecas já são tantas que parece que vamos ter eleições daqui a 15 dias. Atentem os intervenientes, caso não saibam, que o escrutínio é só para o ano. E são três. Bem sabemos que há os que querem continuar a “renovar”, outros que querem “renovar” à maneira deles e outros ainda que querem ajudar a “renovar” seja lá com quem for.

Os sinais desta loucura são já muitos e evidentes. Nas redes sociais acordam perfis falsos que estavam adormecidos, outros mudam de nome e de fotografia e até há deles que surgem pela primeira vez. De repente, tal qual as piranhas (e porque o são) a actividade tornou-se frenética. Mordem por todo o lado. Até em si próprios.

Mas há mais: pelo estilo de escrita e porque se conhecem alguns escribas de ginjeira, começam a aparecer alguns que escrevem em ambos os matutinos com nomes diferentes.

Outros há, de peito feito às balas, cobrindo todos os flancos que conseguem. Justificando se forem dos seus ou atacando, desalmadamente, se forem dos outros.

Acabou-se a cordialidade e a saudável troca de ideias e pontos de vista. Tudo serve como arma de arremesso: a verdade, a mentira e, acima de tudo, o “innuendo”, a terrível arma dos fracos. Gosto da decência, não suporto o “innuendo”.

Se há coisas a dizer, que a decência as faça serem ditas com frontalidade. Que tudo fique esclarecido. Confrontem-se opiniões e posições, tudo com muita convicção.

Estamos a viver um tempo de gente menor. Onde a falta de elegância e de ideias provoca a prevalência do ódio, da mentira. Os adversários transformam-se em inimigos, a divergência torna-se acintosa.

No terreno pantanoso da mentira, na suspeiçãozinha inexistente, na falta de ética e de moral, reside o “modus operandi” dessa gente pequenina que não presta para nada. São covardes, mentirosos e o exemplo vivo de que a incompetência compensa. Falta-lhes a inteligência e a sabedoria do argumento, do ponto de vista, da ideia sustentada.

“Alea jacta est”.

4. Não alinho nestes tempos em que se procuram justificar as asneiras próprias com as asneiras dos outros.

5. Se anda por aí uma “esquerda caviar” sem dúvida que, do outro lado, mora uma direita “patinhas de porco” que enferma dos mesmos males. Encontram-se ao centro, no Estadão de interesses que souberam, tão bem, criar.

6. A propósito da última sondagem: o PSD perde deputados, o CDS perde deputados, o JPP perde deputados, o PTP perde o deputado, o independente desaparece, o Bloco e o PCP mantêm os que têm e querem-me fazer crer que vão todos para o PS? Então era isso...

7. Ali, na Ponte de São João, ou da Cabouqueira, a ponte não é só “uma passagem para a outra margem”. Some-se-lhe uma latada, mais uns banquinhos de jardim e umas buganvílias e temos o “spot” perfeito para assistir ao próximo aluvião em directo.

8. Na Ponte Nova continua o embargo de uma obra cuja solução camarária é quase igual à governamental. Pelo menos, é o que acho que podemos concluir do silêncio da Câmara Municipal do Funchal. Uma mancha vergonhosa no centro da cidade, que ofende os funchalenses. Entendam-se, caramba. Exigem-no a cidade e os seus habitantes.

No Bom Jesus, lá foram as árvores. Não que isso seja um problema em si mas porque é estranho que a decisão tenha sido tomada, aparentemente, “a posteriori” e não quando se planificou a obra.

E ali, em pleno passeio marítimo da cidade, em frente ao teleférico, continua aquela pouca vergonha que dá pelo nome de ETAR, para a qual não há um balde de tinta nem dois ou três pintores que acabem com o aspecto daquele monumento à incúria, à sujidade, ao deixa andar.

9. Neste país comummente amado por todos nós, a maioria olha para o Estado de duas maneiras: ou como um Estado inimigo a quem não tem qualquer importância enganar, ou como um estado paternal, protector, que tudo decide por nós, que tudo paga.

Descartemos, de imediato, a ideia de que roubar o Estado é algo de lícito porque, se o fizermos, estamos a roubar-nos a todos. O Estado somos todos nós.

Não compete, também, ao Estado decidir aquilo que podemos, por nós, decidir. Mas é isso que o Estado que temos faz, com uma frequência cada vez maior. Também não é da sua competência o pagar pelas asneiras dos outros. O nosso dinheiro comum, o dinheiro público, deve ser geridos de modo parcimonioso e transparente.

O Estado que queremos, um Estado desenvolvido, é aquele que não se nota. Que exerce a gestão da “coisa pública” a contento de todos. Com regulação mínima e fiscalização firme e segura. Dotado de uma justiça rápida e eficaz que não olha a quem. O Estado que merecemos é pequeno, ligeiro e eficaz.

10. Santana Lopes foi-se do PSD. O Observador, já tem chefe de fila. Santana Lopes diz-se liberal... e fala como um conservador. Deve ser aquela coisa de conservador liberal ou liberal conservador. A quem consegue verbalizar, ao definir-se politicamente, as duas palavras na mesma frase devia cair-lhe a língua.

Na sua carta de despedida do partido onde viveu desde sempre, Santana falou do seu assunto preferido: de si próprio. Elogiou-se, sente-se magoado e, meses depois de ter ido a eleições internas, abandona os 40 e poucos por cento de militantes que nele votaram. Neste país só Santana Lopes considera desprezível mais de 40% de base de apoio partidário.

Há uma coisa que Santana não percebeu: aquele ar de “dandy” da política a fazer beicinho que tanto agradava a uma parte do PSD, já não está com nada. Ficava-lhe bem na juventude mas não agora. Um maduro a fazer beicinho é só ridículo.

No partido santaneiro que aí vem, livre-se alguém de contrariar aquele para o qual vai ser criado. Santana saiu do PSD porque se fartou de ser “incompreendido” e “ignorado” Fartou-se de se “apresentar a votos, de propor caminhos, ideias e propostas alternativas” e de ninguém lhe ligar.

Santana tem um programa político que deve ser o resultado da sua moção ao Congresso que perdeu. Programa liberal? Pelo amor da Santa(na)!

11. E agora, vou de férias. Os que ficam, que tenham paciência porque isto vai continuar estapafúrdio de certeza. Espero voltar a 11 de Setembro revigorado e com uma certeza: da “rentrée” política para a frente, vai ser sempre a descer.

12. “A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todo o lado, diagnosticá-los incorrectamente e aplicar as piores soluções”. – Grouxo Marx

Nuno Morna

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