Ética na política

Os políticos têm que começar a entender que foram eleitos não só para governar mas também para explicar o que fazem e porque tomam certo tipo de decisões

18 Jan 2018 / 02:00 H.

No quadro da atual conjuntura política com todos os casos que têm vindo ( felizmente ) a público é imperativo que os que dela fazem ou querem fazer parte tenham redobrados cuidados , não só com aquilo que é liminarmente da sua responsabilidade no que se refere aos seus direitos e obrigações mas também no domínio da honorabilidade dos bons costumes e práticas. Porque já diz o ditado “à mulher de César não basta ser honesta , tem que parecer honesta também “e se “gato escaldado de água fria tem medo” é fundamental atuar de forma séria e às claras , sem subterfúgios , meias frases ou jogos de poder para que as pessoas possam voltar a confiar.

Se até há bem pouco tempo seria inverosímil pensar-se que veríamos diversos atores principais da nossa historia serem chamados a responder em tribunal não obstante ter a opinião de que na esfera da separação de poderes (judicial e político) temos ainda um longo caminho a percorrer é no domínio da ética e dos valores que “a coisa” se dá de forma mais grave. E as desilusões têm sido mais que muitas embora eu não seja dos que fazem pejo em considerar que “é tudo farinha do mesmo saco”.

Choca-me no entanto a forma como hoje em dia certos personagens são uma coisa em público e outra em privado. Que dizem uma coisa num lado e outra no outro. Que mudam de opinião por “dá cá aquela palha” e que funcionam em função daquilo que é a sua imagem perante a sociedade, relegando para segundo plano aquilo que é o real interesse dos cidadãos. O que interessa é ganhar. A todo o custo. Passando-se por cima de acordos e de palavras dadas por causa de birras mesquinhas e sempre em função do barómetro eleitoral. Mas a mentira e a fachada não duram para sempre e temos variadíssimos exemplos disso. E mesmo que os gestos e as frases feitas estejam até bem estudadas o povo não é estúpido como às vezes o querem fazer parecer. A vantagem de sermos pequeninos e bairristas é que tudo se sabe , mais cedo ou mais tarde e a máscara acaba sempre por cair.

Os políticos têm que começar a entender que foram eleitos não só para governar mas também para explicar o que fazem e porque tomam certo tipo de decisões. Nós temos o direito de saber o porquê de certas escolhas e o assobiar para o lado à espera que o esquecimento tome conta do resto não cola. Fugir ao esclarecimento com sorrisos de plástico e silêncios promíscuos usando jogos de bastidores e estratégias obscuras é muitas vezes revelador do caracter ( ou da falta dele ) de quem acha que pode passar entre os pingos da chuva. Depois admiram-se das pessoas terem medo de falar com receio de serem depois sancionadas no seu dia a dia como reprimenda pela ousadia. Já devíamos ter ultrapassado a técnica do “tau-tau” no rabinho do menino que se porta mal. Somos todos crescidos e devemos agir em consonância.

Já dizia Francisco Sá Carneiro que “a política sem risco é uma chatice mas sem ética é uma vergonha”. Precisamos de mulheres e homens que não tenham medo de dar a cara, que assumam as suas posições , que saibam que “para se ser grande há que ser inteiro” nas atitudes nos princípios e na intencionalidade que pomos no que fazemos. Sem fugir ao confronto pondo os interesses das pessoas à frente dos seus. Isso é ter sentido de Estado e deveria ser normal. Procuramos a prática da independência e não a independência por ser “prático”. Nós estamos atentos.

“O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me seja sob que pretexto for.”

Francisco Sá Carneiro

José Paulo do Carmo