É Carnaval... e as listas transnacionais.

Os medíocres gostam de ter a seus pés quem lhes lamba a calçada da vida...

13 Fev 2018 / 02:00 H.

1. Disco: Ty Segall, “Freedom’s Goblin”, no carro a faixa “Every 1’s A Winner” corre sem parar, há mais de uma semana.

2. Livro: José Mauro de Vasconcelos, “O Meu Pé de Laranja Lima” foi relido num fôlego de horas. É sempre tão bom voltar a estas coisas que nos marcaram e lê-las com outros olhos.

3. Ele há coisas que me mexem mesmo com os nervos... a sabujice é uma delas. Não suporto lambebotismo, nem cheiracuzismo. Pessoas que, se não estão sentadas à volta da gamela, dizem mal de tudo e todos e depois de sentados, mesmo que dela não comam, soltam as hossanas e vêem Cristo na terra. Os melhores amigos que tenho são pessoas que me dizem na cara o que pensam. E esperam de mim exactamente a mesma coisa. E é nas diferenças que estas amizades crescem. Na admiração mútua.

Não sendo eu ninguém para dar conselhos, aqui fica um: só há duas maneiras competentes de gerir nomeações na “coisa pública”: ou se nomeia alguém tecnicamente muito competente e fraco politicamente mas com assessoria política muito boa, ou alguém politicamente muito bom mas fraco tecnicamente devidamente assessorado pelos melhores. Fora disto é voltar ao mesmo: nomeação de medíocres assessorados por outros ainda mais medíocres, para não fazerem sombra ao “chefe”. Foi disto que tivemos anos que agora sobram. Os medíocres gostam de ter a seus pés quem lhes lamba a calçada da vida...

4. A política regional, para algumas pessoas, é assim a modos que um filme do faroeste... de um lado estão os índios e do outro os cowboys. E não há mais nada nessas cabeças para além disso. Já cansa caraças... Já cansa!

5. “Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra. Vedes as desatenções do governo, vedes as injustiças, vedes os sonhos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes os respeitos, vedes as potências dos grandes, e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos povos (...)? Ou os vedes ou não os vedes. Se os vedes, como não os remediais? E se não os remediais, como os vedes? Estais cegos.” - Padre António Vieira

6. Na passada semana, Duarte Dória foi demitido da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência. Nos últimos tempos tem havido um esforço muito grande para todos os dias o GR brinda-nos com verdadeiras pérolas. Um ano e picos depois chegam à conclusão que afinal tinham nomeado alguém que não tinha competências para exercer o cargo. Uma simples distracção.

ATENÇÃO: a gerência informa que o facto desse alguém ter feito um comentário nas páginas deste Diário sobre a falta de camas hospitalares é mera coincidência.

7. “O Cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, aconselha a que, nos casos em que não possa ser declarada a nulidade do casamento anterior, deve ser proposto ao casal em situação irregular viver sem a prática de relações sexuais.” – in Público. Isto é tão estúpido, mas tão estúpido que vale por si. Não carece de qualquer comentário. É por estas e por outras que me apetece declarar cristão e renegar o catolicismo a que me obrigaram.

8.. Quase todos os dias nas minhas caminhadas higiénicas passo, na zona do Almirante Reis, pela ETAR do Funchal. Consta que a mesma é hoje de pouco préstimo e que já não cumpre a função a que se destina. Corre que vão fazer outra e que já estão atrasados na sua construção. Diz que até pode vir aí uma multa das grossas da UE ao estado português, por causa disto. E, no entretanto, “isto” anda da Sra. Câmara para o Sr. Governo e do Sr. Governo para a Sra. Câmara como Jesus andou entre Pilatos e Caifás.

Mas o que me traz aqui nem são estas costumeiras porcarias. Enquanto jogam o jogo do empurra, não podia alguém assumir a responsabilidade de dar uma mãozinha de tinta naquilo? Uma tintinha num equipamento público postado no meio de uma zona que se quer turística... Vá lá, não custa nada.

9. Em primeiro lugar e para que fique bem claro, eu sou amigo da deputada no Parlamento Europeu Liliana Rodrigues. Posto isto e tendo a certeza de que me consigo abstrair desse facto, tenho alguma dificuldade em entender a necessidade constante da deputada do PSD Cláudia Monteiro de Aguiar atacar a sua congénere por tudo e por nada. Tendo razão, não a tendo, tudo serve. Tenho para mim o quão fantástico seria para a Madeira, se remassem no mesmo sentido.

Vem isto a propósito da não aprovação, no Parlamento Europeu, da possibilidade da criação das listas transnacionais. A Sra. Deputada do PSD veio atacar a deputada do PS por esta ter votado favoravelmente a possibilidade dessa lista ser criada. Até aí tudo bem pois é um direito que lhe assiste. O problema está em que, à força do querer apresentar serviço, falou aleivosamente seguindo a cartilha do seu chefe de fila, Paulo Rangel. Contrariamente ao que afirma a Sra. Deputada, as listas transnacionais até poderiam proporcionar mais deputados portugueses no PE. Contrariamente ao que disse, nunca e em tempo algum estiveram em causa o número de deputados nacionais. Ou votou de cor ou está a mentir ou desconhece do que está a falar.

Com o BREXIT ficam livres, digamos assim e para que se perceba melhor, 73 lugares que eram preenchidos por deputados do Reino Unido. Por decisão política eliminam-se 46 que ficam livres para possíveis adesões futuras à EU, ficando 27 disponíveis. Estes poderiam ter dois destinos: ou uma lista transnacional à qual pudessem concorrer os partidos europeus (PPE, PSE, ALDE, etc.) que concorreriam unicamente a esses 27 lugares, para além das eleições país a país com os lugares que actualmente cada um tem; ou estes 27 lugares seriam redistribuídos de modo a menorizar algumas assimetrias existentes. Foi isto que foi aprovado e, para Portugal, não vem nem mais um deputado como acontece com outros países como, por exemplo, a França e a Espanha que vão ficar com mais 5 deputados cada uma. Simples.

Como se torna mais que evidente, a existência de uma lista transnacional poderia eleger mais deputados portugueses que integrassem candidaturas de partidos europeus. É tão claro que até chateia. Não votar favoravelmente isto roça o ridículo e pode ser mesmo considerado quase que criminoso.

Venham de lá agora o PSD e o CDS e o PCP e o BE arrogarem-se a que são partidos empenhados na construção de uma Europa convergente e mais democrática.

Defenderam-se as quintinhas e os quintalecos de quem se acha o “dono da chave da retrete”.

Nota final: os partidos situacionistas alegaram que um dos motivos do seu voto ser contra as listas transnacionais se devia ao facto de estas poderem potenciar populismos. O grupo da extrema-direita europeia onde se encontra a Frente Nacional de Marine Le Pen também votou contra a criação das listas.

Muito bem esteve Liliana Maria Rodrigues. Bravo!

10. A arrogância só mudou de lugar!

Nuno Morna

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