Direitos das mulheres

Não há mais espaço entre nós para canalhas e ordinários nem para regimes que não conseguem vislumbrar

26 Out 2017 / 02:00 H.

Sempre tive para mim desde que me lembro a equidade de género entre homens e mulheres como algo natural. Nunca pensei sequer na possibilidade de ver as coisas de outra forma. Foi isso que aprendi lá em casa com os meus pais e os meus avós e foi essa construção que fiz posteriormente como correta quanto à minha forma de pensar e ver o Mundo. Sempre tive aliás o cuidado de separar essa equidade da igualdade que algumas pessoas defendem sem saberem bem o que estão a dizer. Nunca poderá existir igualdade entre homem e mulher porque eles serão sempre diferentes, seja na fisionomia, na capacidade reprodutiva e em muitas outras coisas.

Essa equidade social, política e económica que pressupõe obrigatoriamente a isonomia, a justiça e a assimetria social visa acima de tudo tratar igual forma os socialmente iguais e diferenciada de uma forma positiva os que assim necessitam tornando a sociedade mais justa e equilibrada. Chegados ao Século XXI não é sequer possível que uma mente sã e minimamente desenvolvida possa pensar de outra forma. Não há aqui espaço a conjeturas a divergências de opinião ou a indecisões . É um dado adquirido que infelizmente demorámos séculos a mais a assimilar mas que neste momento não tem espaço para retrocessos nem para mão branda a quem age violando estes princípios.

É no entanto importante irmos refrescando a memória dos mais esquecidos e trazer o assunto à baila sempre que necessário. Continuam a existir casos de violência doméstica , casos de desrespeito e humilhação e isso não pode ser possível na nossa sociedade. Não podemos por isso deixar que a questão amoleça e deixe de ser prioritária achando que todos nós assumimos que de tão natural já se encontra enraizado no Mundo. Basta vermos por exemplo a questão da Arábia Saudita. Como é possível que um país que “ despreza as mulheres que as obriga a ter um homem como guardião , que não possam estudar , viajar ou trabalhar sem a autorização do mesmo e que tenham que andar tapadas sem direito a fazer desporto ou a conduzir possa ser eleito como membro da Comissão de Acompanhamento à Condição da Mulher que visa assegurar os direitos das mesmas? “, como perguntou e bem a euro deputada madeirense Liliana Rodrigues.

Como é possível que numa área tão moderna e que tanto apregoa os valores e princípios da equidade e da cultura e que tanto se insurge contra as assimetrias sociais e a pobreza como o Cinema possa ter o dislate de nos apresentar dois realizadores ( talvez mais ) Harvey Weinstein e James Toback acusados por diversas mulheres de assédio sexual, de promessas e mentiras visando o aproveitamento de um sonho ou da pretensão de diversas jovens obrigando-as à humilhação e às marcas psicológicas num ritual perverso e nojento segundo o relato das próprias?

É importante que os passos que estamos a dar todos os dias com vista a um crescimento moral e social não nos faça esquecer nem perdoar quem ainda não percebeu que não há mais espaço entre nós para canalhas e ordinários nem para regimes que não conseguem vislumbrar o óbvio. É “ridículo” que este tipo de situações continuem a existir e cabe a cada um fazer tudo e de tudo para que não voltem a acontecer.

José Paulo do Carmo
Outras Notícias