Debate público

Precisamos de outra coisa fundamental, que deve ser transversal numa nação que se quer forte, consistente e madura. É ser informada

01 Fev 2018 / 02:00 H.

Nos últimos meses temos assistido a um chorrilho de casos envolvendo altas personalidades da esfera política social e corporativa portuguesa tendo chegado agora também à justiça. Alertei ainda há pouco tempo neste mesmo espaço para a ausência de separação de poderes e para a promiscuidade entre diversas esferas nomeadamente a judicial que não se traduzia na prática ao que estaria instituído na teoria. Parecia que estava a adivinhar. Não é por isso para mim novidade alguma esta “Operação” Lex que envolve juízes desembargadores e empresários que incorrem em suspeitas de corrupção/recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais, tráfico de influências e fraude fiscal. Mais do mesmo.

Não podemos contudo deixar que estes casos se vulgarizem. Achar que é apenas mais um é admitir que começa a ser prática corrente e faz-nos desvalorizar este tipo de situações. Cabe a nós dar uma resposta cabal de apoio às instituições que investigam este tipo de casos para que possam ir até ao fim sem medos de poderes instituídos , custe o que custar. Para que possamos ter uma sociedade impoluta e eticamente mais responsável precisamos que estes casos ( caso se confirmem claro, já sabemos da presunção de inocência até à culpabilização efetiva ) sirvam de exemplo para que outros não incorram no mesmo afastando essa inimputabilidade que por vezes parece apoderar-se de certas e determinadas personagens.

Precisamos no entanto de outra coisa fundamental , que deve ser transversal numa nação que se quer forte, consistente e madura. É ser informada. Um povo informado que saiba discutir e aperceber-se de terminados temas e que se possa insurgir contra certo tipo de atitudes estará sem sombra de dúvidas incomensuravelmente mais próximo de conseguir defender-se de esquemas e trafulhices que nos vilipendiam a alma e o bolso. Por isso falei à pouco tempo na necessidade de os políticos e outros cargos públicos com responsabilidade não se esconderem atrás do silêncio , das frases feitas, e da hipocrisia do caminho mais fácil. Não pode ser só na altura das eleições que se devem prestar “contas” às populações mas sim sempre que necessário.

É por essa mesma razão que temos todos a obrigação de promover debate no espaço público , quantos mais e diversificados melhor. Desde a Cultura às questões sociais, da justiça à saude, do emprego à educação passando pela segurança. Sem medo de falar, de debater , de discutir e de responder às questões mais pertinentes e às duvidas dos cidadãos, sem receio do escrutínio da sociedade . Abertos , frontais e clarificadores. E as pessoas têm por outro lado de se mostrarem interessadas, de serem pro-ativas e de aderirem a este tipo de iniciativas.

Esta semana tivemos oportunidade de assistir a mais um Rasgo, iniciativa que promoveu o debate em torno da Cultura envolvendo quem teve no passado e tem agora responsabilidades nessa matéria. A Atlanticulture com o apoio e suporte deste jornal conseguiu juntar à mesma mesa moderadores e oradores que durante duas horas esgrimiram argumentos e clarificaram que quis ser elucidado. É o caminho para que possamos agir em conformidade com o que está a ser programado e com o caminho traçado. Só assim podemos ser mais vigilantes e atuantes e dessa forma mais próximos do desenvolvimento. O primeiro passo para evoluir começa muitas vezes por mostrar interesse.

José Paulo do Carmo
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