Da Liberdade de Expressão e de alguns PSD’s

Eu levo muito a sério esta coisa da liberdade de dizer e pensar o que me apetecer. Se vamos começar a travar o que dizemos por medo de ofender, estamos a limitar a liberdade de expressão. Prefiro correr o risco de ofender ou de ser ofendido.

20 Mar 2018 / 02:00 H.

1. Disco: “I’llBeYourGirl”, dos TheDecemberists é um “must” em todos os sentidos: um “musthave”, um “must listen”. Por vezes, melancólicos. Por vezes, acutilantes. Por vezes, hipnóticos. Por vezes,gentis. Por vezes, arrasadores.

2. Livro: “As Personagens” de “nossa” Ana Teresa Pereira. Já aqui o disse que lhe aprecio a escrita escorreita.

3. Filme: “TheDeathofStalin”, de Armando Iannucci é um dos filmes mais divertidos que vi ultimamente. As cenas depois do derrame cerebral de Stalin, são de ir às lágrimas. A não perder.

4. Assunção Cristas disse numa entrevista que comparava a tourada com um bailado. Como eu não gosto, não corro o risco de fazer comparações idiotas.

5. Registe-se o acordo feito entre a Universidade Aberta e a Câmara de Câmara de Lobos para que este estabelecimento de ensino instale nesse município o seu Centro Local de Aprendizagem da Madeira. Muito bem.

6. AJJ do alto da sua excelsa educação veio chamar palhaços e insurgir-se contra quem pensa que o insulto deve ser permitido e não coarctado pois, ao fazê-lo, abrem-se as portas ao controle da opinião. Sou então um palhaço. O Dr. Jardim no seu escrito usou o insulto para criticar os que com ele não concordam. Segundo o ex-governante, este pode insultar e eu não posso sequer defender esse direito que ele tem de o fazer. Pela minha parte esteja à vontade. Só me insulta quem eu quero. Só me insulta quem eu considero.

Eu levo muito a sério esta coisa da liberdade de dizer e pensar o que me apetecer. Se vamos começar a travar o que dizemos por medo de ofender,estamos a limitar a liberdade de expressão. Prefiro correr o risco de ofender ou de ser ofendido.

Pessoalmente, nunca recorreria a um tribunal por me sentir ofendido mas para quem se o sente há sempre esse recurso que a democracia criou para assegurar a dita “defesa” do bom nome.

Criar limites à liberdade de expressão, sejam eles quais forem, é abrir a porta à censura. E para isso não contem comigo.

Sintam-se livres de me insultar!!!

7. No Brasil, Marielle Franco foi barbaramente executada. Executada à queima-roupa. Estou nos antípodas políticos da activista brasileira. Mas nunca por nunca poderei calar a minha voz, quando se violenta a democracia e se mata a opinião que connosco não é concordante.

O Brasil, país onde vivi fugazmente, é parte desta pátria a que Pessoa chamou “da língua portuguesa”. É país irmão e connosco comunga de muitas virtudes e defeitos.

O Brasil de há 15 anos não é o Brasil de hoje. De país pujante e a sair de um relativo marasmo, voltou a cair no que demais vil tem a política e a dimensão humana.

É o país onde se replicam Temeres e Lulas, Bolsonaros e Aécios. De alguma maneira, impera um faroeste onde a lei está judicializada, onde o juiz emana como uma figura justicialista e não de interpretador da legislação e da sua respectiva aplicação.

No Brasil de hoje a morte de Marielle Franco é um bocado a morte da democracia dos nossos irmãos.

É um bocado a morte de todos nós.

8. Na Assembleia da República foi aprovada uma lei que permite a engenheiros assinarem projectos de arquitectura. Para mim um engenheiro é um engenheiro e um arquitecto é um arquitecto. E mais nada!!!

9. Não suporto maoistas... nem dos convertidos. Vêm sempre com o cheiro agarrado e dão em liberalóides!

10. Em nome do combate contra a discriminação não se podem esquecer as nossas diferenças.

É a diferença que nos torna seres únicos e irrepetíveis e, como, tal fascinantes.

E é pelo fascínio da diferença que nos temos de admirar e, como tal, de nos respeitarmos.

É sobre estas premissas que deve assentar o combate.

A continuarmos nesta via do igualitarismo cairemos, num futuro próximo, na tentação de crermos na igualdade normatizadora e,consequentemente, criarmos uma sociedade de iguaizinhos, uma sociedade sem divergência, sem discussão e como tal sensaborona.

11. A empresa belga Turbolent criou umas pequenas centrais eléctricas, geradoras de energia renovável, que permitem criar energia para cerca de sessenta casas. São equipamentos de fácil e rápida instalação. São tantos e económicos os pequenos passos que se podem dar no sentido das energias limpas. Em vez de dar cabo do Paul da Serra, impermeabilizando-o, imagine-se uma solução geradora de energia que contemplasse uns milhares de coisas dessas, nas nossas levadas e ribeiras. Digo eu.

12. O último congresso do PSD elegeu Feliciano Barreiras Duarte como secretário-geral do PSD. Um mês depois, demitiu-se. Pelo meio fica uma enorme trocha de trapalhadas que têm a ver com o seu currículo. Doutorando em Berkeley, com um mestrado ininteligível na Lusófona, autor do relatório parlamentar sobre o Acordo Ortográfico e Conselheiro Económico do município de Anfhn(que ninguém descortina onde fica) na província de Guizhou na China, entre outras coisas.

Nem vale apena perder muito tempo com isto. Andam aí muitos na política que não aprendem que quanto mais se sobe maior é o escrutínio da imprensa, do público, dos adversários.

Não entendo esta necessidade de inventar currículos académicos.Têm dificuldade em entender que o que inventamnão são mais do que meras certificações da estupidez. Mas agora é de bom-tom tê-los.

Ou seja, a culpa disto não é só dos Relvas, dos Barreiras Duarte,dos Sócrates, é de todos nós por acharmos que um canudo é o mesmo que um certificado de competência.

Quando está longe de o ser!

13. E entretanto no PSD...

Luís Montenegro fazia a cama a Elina Fraga que apoiava Rui Rio que amava Santana Lopes que amava Passos Coelho que amava Cavaco que não amava ninguém.

Barreiras foi para Berkeley, depois para Anfhn em Guizhou na China. Hugo Soares demitiu-se, Abreu Amorim arrotou, Paula Teixeira da Cruz bebeu meia bola e o PSD aproximou-se de António Costa que não tinha entrado na história.

[adaptação do poema Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade]

Nuno Morna

Tópicos

Outras Notícias