Comunicar, liderar e “vestir a camisola”

É a esta nova era de complexa competitividade feita de pormenores

09 Nov 2017 / 02:00 H.

Quando hoje em dia olhamos com atenção para a realidade social e empresarial da nossa sociedade facilmente constatamos que aquilo que designávamos por verdades absolutas ou adquiridas são hoje em dia e à luz de um trajecto de constante adaptabilidade sociológica conceitos obsoletos de concretização duvidosa e de sucesso pouco expectável . É o Mundo a mudar mais rápido do que alguma vez sonhámos, basta para isso estarmos atentos aos sinais , desde o encerramento da Blockbuster ou do pedido de falência por parte da Kodak. Dois gigantes que a par de alguns outros não se souberam adaptar a esta nova realidade cada vez mais digital e menos física que nos permite a criação de redes globais e plataformas de compra e venda , bem como no armazenamento de todo o tipo de dados.

É a esta nova era de complexa competitividade feita de pormenores e minuciosa nos detalhes que temos que nos adaptar sob pena de perdermos definitivamente o comboio dos que se mantém e constroem caminhos de sucesso assentes em objectivos bem definidos e capacidade de trabalho mas também na criatividade no respeito pela

Cultura e pelos valores que nos definem mas também naquilo que é a relação entre as pessoas. No emaranhado que faz da gestão de recursos humanos e do trato pessoal, empresarial e às vezes afetivo a fórmula essencial para serem atingidos certos fins não pode ser também esquecida a forma como se exerce a liderança dentro de um determinado grupo e como atingimos nós a atenção das pessoas quando a toda a hora a qualquer minuto mil e uma coisas são comunicadas , excesso de informação que nos entra pelas casas e nos aparece à frente sem estarmos à espera disso.

É nessa forma de chegarmos às pessoas , de evidenciarmos os nossos atributos e de lhes darmos aquilo que elas querem fazendo com que se sintam parte integrante que está o segredo para o sucesso. Saber ouvir quem está connosco , mostrar que estamos atentos e sobressairmos de uma forma natural . Mas em relação ao produto e ao que pretendemos das nossas ideias tentarmos que as nossas se destaquem não só pelas características que os tornam especiais ou únicas mas sim , sobretudo , inspirarmos para a ação. Cada vez as pessoas seguem e compram mais não o que fazemos mas a razão pela qual o fazemos. Ou seja as pessoas deixam cada vez mais de comprar por necessidade ou por puro materialismo para comprarem para seguirem uma ideia ou ideal. Por se identificarem com uma razão.

Este domínio sensorial de emoções e razões que até aqui não entravam em qualquer equação de liderança ou nas regras básicas de sucesso na criação de um produto são hoje em dia a base e a forma mais direta para chegarmos as pessoas. Chama-se comunicação e é a forma como lidamos com ela e é através dos valores e princípios que defendemos que nos impomos e fazemos outros seguir o que fazemos. Através da capacidade de acreditar , seja num projecto , ideia ou potencial conceito. Hoje em dia deixamos cada vez mais de nos focarmos no dinheiro mas sim na forma como algo mais forte consegue mexer connosco de tal forma que vestimos a camisola com sangue suor e lágrimas sem pedir em troca . É nessa procura de também darmos ao invés de pensarmos só em receber , de contribuirmos em vez de esperarmos só que contribuam para nós. É na forma como consubstanciamos aquilo que podemos fazer por uma causa ao invés do que a causa pode fazer por nós que conseguiremos cativar os outros a seguir aquilo em que acreditamos. O futuro é isso também .

José Paulo do Carmo
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