Começou a campanha eleitoral

O que me mete uma certa confusão é a arrogância e prepotência de alguns que será amenizada com o decorrer do tempo

15 Fev 2018 / 02:00 H.

O desfecho das eleições no PS-Madeira e a divulgação de algumas sondagens eleitorais com resultados aproximados entre as duas maiores forças políticas marcam claramente o início da campanha para as eleições Regionais. O que para além de ser uma verdadeira chatice uma vez que vamos estar um ano e meio a levar com sucessivos “sound bites” dos diversos quadrantes ainda nos vai obrigar a aturar os dislates daqueles fanáticos que enchem as redes sociais com autênticos disparates que mais não são que tiros nos próprios pés. Fazem-me lembrar o icónico “Manifesto Anti-Dantas” de Almada Negreiros, quando os vejo a escrever parvoíces apetece-me logo apoiar o outro lado seja ele qual for.

Mas esta precocidade com todas as idiossincrasias inerentes encerra em si uma série de perigos a que devemos estar atentos. Logo à partida o facto de termos os agentes políticos a dividirem o seu tempo entre aquilo para o qual foram eleitos ou seja trabalhar para melhorar a qualidade de vida das pessoas e as estratégias políticas e jogos de bastidores. Depois porque podemos correr o risco de hipotecar o futuro com medidas eleitoralistas de curto prazo. É demasiado tempo para uma campanha. E a luta vai ser “rija”, talvez das mais duras batalhas políticas a que a Madeira já assistiu. Espero que pelo menos o debate público seja assente nas condições programáticas dos candidatos deixando desta vez a parte da “peixeirada” um pouco de parte. Mas a fazer fé por alguns personagens aqui da praça não apostaria nem 1 euro nisso.

O que me mete uma certa confusão é a arrogância e prepotência de alguns que será amenizada com o decorrer do tempo e paulatinamente substituída por sorrisinhos e abraços cínicos. Acho no entanto que a comunicação de alguns políticos deixa muito a desejar e a sua interação com as redes sociais (tão importantes hoje em dia) é por vezes patética. E por muito que não queiramos admitir existem eleições que hoje em dia são decididas nesse campo. Tenho ficado nos últimos tempos estupefacto com o que escrevem alguns peões de segunda e terceira liga. Irrita-me esta parolice de acharem que de um lado é tudo bom e tudo diferente e do outro é o Diabo mas depois quando têm oportunidade de se mostrarem na diferença são os primeiros a babar-se com o “prato do poder”.

O que não me esqueço , porque não me quero esquecer , é o comportamento que pessoas com responsabilidades têm tido e algumas atitudes de desprezo que tenho presenciado. Haja paciência de facto. Precisamos de ar fresco e de comportamentos mais positivos. Aprendam alguma coisa com o nosso Presidente da República na forma como se ganha a confiança das pessoas e como o facto de se ser afável cria uma cumplicidade e segurança importantíssimas nos dias que correm para legitimar certas posições. É a sensibilidade ao serviço da inteligência.

Não nos esqueçamos no entanto que antes das Regionais vêm as Eleições Europeias que muitos consideram algo de menor mas que assume vital importância naquilo que é a nossa conjuntura e o nosso crescimento futuro.Neste particular tenho acompanhado com especial interesse o trabalho que tem sido feito pela eurodeputada Liliana Rodrigues. Eu gosto de pessoas assim, sem tretas que mais do que bandeiras e cores empenham causas, convicções e valores. Precisamos de políticos arejados que não tenham medo de “meter o pé” por aquilo em que acreditam. Que não se escondem e não abdicam dos seus princípios.Talvez outros devessem seguir o exemplo.

José Paulo do Carmo