Citar é Humano

Pedro Calado

24 Out 2017 / 02:00 H.

Semana interessante esta:
1. O Ministro do Ambiente veio à Madeira e tratou de visitar a ETAR de Câmara de Lobos. Ao que parece veio cá tratar de umas merdas;

2. Tropecei numa fantástica entrevista dada por Gonçalo Ribeiro Teles à Visão a propósito dos incêndios de 2003. Faz 14 anos. Está lá tudo: “Também o terramoto [de 1755] permitiu que o Manuel da Maia, a mando do Marquês de Pombal, fizesse a Baixa lisboeta. Não desejo um terramoto, mas não percam esta oportunidade. O futuro do País e da sua identidade cultural e independência está em causa”;

3. Netflix + David Fincher + “Mindhunter”... é preciso dizer mais?;

4. A pintora Teresa Brazão é a nova Directora Regional da Cultura. Muito francamente aquando da tomada de posse de Miguel Albuquerque, achei estranho que não fosse ela a nomeada para o cargo, pois deve ser das suas mais antigas apoiantes dentro do PSD. Foi-o agora. É pessoa da cultura, conhecedora e competente. E é minha amiga, porra! Não esperem que daqui saia uma palavra de demérito;

5. No rescaldo dos fogos o primeiro-ministro falou ao país. E não disse aquilo que os portugueses precisavam ouvir. Ao invés da conversa do “vai voltar a acontecer”, precisávamos de esperança. De que se reconhecesse que, apesar das dificuldades tudo seria feito daqui para a frente para que isso não voltasse a acontecer. Já lá vai o tempo em que sabíamos onde “estava” o governo, para que é que ele servia. Tínhamos dele a ideia de uma instituição protectora. Agora é a modos que uma coisa periférica. A afirmação de António Costa não é mais do que um passo na direcção da banalização da morte. Pode ter um enorme jeito para negociar com os “geringonços” à sua esquerda mas foi inábil a comunicar com os portugueses. No final da semana, lá tentou emendar a mão pedindo desculpa e reconhecendo a asneira. O que nestas alturas é preciso é liderança, era só isso que se pedia. Liderança! Salvou-nos Marcelo Rebelo de Sousa;

6. Xanana Gusmão passeou-se pela região. Devo ser o único com quem ele não tirou uma fotografia... Também não me pediu;

7. Armamento roubado em Tancos é recuperado pela Judiciária Militar. Epá, sou só eu que acho isto estranho? Então recuperam-se as armas e não se prende ninguém? Como é? Elas saíram de Tancos pelo seu pé e foram tomar café à Chamusca? Há aqui qualquer coisa que não bate certo...;

8. Linda a homenagem que a Juventus fez no seu campo aquando do jogo com o Sporting. Estádio às escuras com a bandeira nacional a drapear nos écrans gigantes enquanto se fazia silêncio. E por isto, e muito mais, que a “Vecchia Signora” é o clube que mais aprecio fora de Portugal;

9. E, na Catalunha, a autonomia vai a caminho da suspensão. Os centralismos são assim: não dialogam, impõem-se “democraticamente”. Pergunto-me a quem, no futuro a história erguerá uma estátua, se a Rajoy, se a Puigdemont...

10. “A Via Expresso entre a Raposeira e a Ponta do Pargo vai ser retomada com urgência”, com um custo de 24 milhões de euros. O betão... perdão, o Sr. Vice-Presidente ainda nem tinha tomado posse e já mexia. Obra concluída em 2019? Porque será?;

11. António Trindade troca o Parque Temático pela Escola Agrícola. Se o parque fosse “Tomático” fazia todo o sentido;

12. Vi na televisão uma reportagem sobre fogos e meios aéreos. Foi no “6ª às 9” da RTP1. No dia 15 de Outubro o país voltou a arder. E ardeu muito para além do que a mais tétrica imaginação podia imaginar. Morreram mais 44 portugueses. Sabe-se agora que havia meios aéreos que ficaram no chão. E aí ficaram porque não havia contrato com o estado para a sua utilização. Não houve um ente, na Protecção Civil, no ministério, no governo, no raio que o parta, que a meio daquela tragédia tenha requisitado esses meios, independentemente do concurso público. O pensar burocrático falou mais alto do que o interesse nacional e a salvaguarda de vidas e bens. Mas também não houve, da parte desses empresários que enchem a mula todos os anos a prestar serviços de combate aos incêndios, a iniciativa de disponibilizar esses meios para o que fosse preciso. Ou seja e resumindo, houve uma data de meios aéreos que passaram esse dia no chão. Estamos bem entregues. Entre burocratas e gananciosos, que bem entalados estamos. Para não dizer outra coisa;

13. Entretanto, na Madeira, nasceu uma Caranguejola na Assembleia Municipal do Funchal. Parece que agora a “alta política” contempla ódios pessoais e rancores. Na politiquice, a doença infantil da política, o inimigo de ontem pode ser o amigo de amanhã. Até foi bom isto acontecer, ficámos a saber até onde podem ir os “resquícios” da democracia;

14. Pedro Calado é irmão gémeo. Será que pensou que Kennedy e Mandela também o eram e daí a confusão?;

15. No passado sábado ocorreram por todo o país manifestações por causa dos incêndios. Em Lisboa, na Praça do Comércio, no país do absurdo, as claques de quem faz da política um clube de futebol, acariciaram-se!;

16. Ainda sou do tempo da Emissora Nacional. Passei de raspão pela Rádio Estudantil do Liceu, depois comecei a dar a voz com a minha mãe ao “Teia de Palavras” das Actividades Culturais da CMF. Mais tarde, fiz um programa de música com o Henrique Vieira e muito incentivado pelo Carlos Melim, com o imprescindível apoio da AEG, ali ao lado do Apolo. Entretanto fui à tropa, fiz o curso, vivi no Porto Santo e andei por aí (como sói dizer-se). A convite do Leonel de Freitas, na altura director de programas, tomei o lugar da minha boa amiga Teresa Mizon (tenho saudades tuas, pá) na condução do “Fazedores de Sonhos” o programa de cinema da Super FM. Uma crónica diária e um programa de uma hora aos domingos. Mais tarde, o Zé Carvalho (que me desculpem todos os outros, mas é para mim o “Sr. Rádio”, na vertente entretenimento) perguntou-me se estaria interessado em me juntar ao Ricardo Campos e ao Zé Manel Ferreira nas “Manhãs da 3”. Começaram, assim, os anos mais loucos da minha vida. Acordar às 6 da manhã, abrir a emissão às 7 e por ali ficar até às 10, tentando produzir uma emissão solta, engraçada, animada e despretensiosa. Foram cerca der três anos de grande rebuliço radiofónico, com duas nomeações para os Prémios do DN que muito nos orgulharam. Some-se a isto tudo um programa de “world music” chamado “Dança do Lobo”, et le voilá, temos a minha história de mais de 15 anos de colaboração com a rádio pública. Como ninguém me perguntou nada e eu não sei ficar calado, aqui fica o meu depoimento e os meus sinceros parabéns nesta data a todos os que pela RDP passaram e a todos os que ainda fazem dela uma rádio que se quer cada vez mais viva, actuante e interventiva. Bem hajam.

Nuno Morna

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