Caridade Cristã

A Igreja Católica e as suas instituições foram e são um apoio decisivo para a sobrevivência de muitas famílias da nossa comunidade

09 Dez 2017 / 02:00 H.

A chamada Economia Social é hoje um setor decisivo na criação de riqueza e de emprego, mas, principalmente, na prestação de serviços essenciais às populações e à manutenção da paz social na Região e no país. Na saúde, na segurança social, na educação e noutras áreas da nossa comunidade, o trabalho das instituições de solidariedade e das empresas sem fins lucrativos é, desde há muito, imprescindível para as nossas comunidades. Estas organizações pela sua proximidade às populações e pela flexibilidade com que operam no terreno, chegam de forma mais célere e respondem com maior eficácia do que as instituições públicas às necessidades e urgências das pessoas.

Este terceiro setor da economia é composto por 55 mil entidades, emprega 260 mil trabalhadores e já representa 3,8 por cento do Produto Interno Bruto português. Mas não como avaliar no concreto a importância destas instituições para a nossa comunidade.

O que seria da Educação na Madeira, sem a existência da Apel, do Colégio de Santa Teresinha, do Externato da Apresentação de Maria ou da Escola dos Salesianos? O que seria da ajuda aos idosos e às crianças sem o apoio do Hospício e as Santas Casas da Misericórdia do Porto Santo, de Machico de Santa Cruz, do Funchal e da Calheta? O que seria dos mais carenciados sem o contributo dos voluntários do Banco Alimentar Contra Fome, da Casa e da Cáritas? O que seria do socorro e do apoio aos doentes, sem a ação da Cruz Vermelha, dos Bombeiros Voluntários, e da Liga Portuguesa Contra o Cancro? O que seria da Saúde na Região, sem o trabalho do Centro Psicopedagógico da Sagrada Família e das Casas de Saúde Câmara Pestana e de São João de Deus? Isto só para citar algumas das instituições, muitas delas católicas e outras laicas, que por essas ilhas fora dão o seu melhor pelos outros.

Vale a pena pensar nisto, sobretudo, porque somos muito lestos a criticar algumas falhas e muito lentos a reconhecer as suas imensas qualidades. Esta questão está muito presente, quando setores da nossa sociedade, por preconceitos religiosos ou ideológicos, põem em causa o que, depreciativamente, titulam de “caridade cristã” por oposição à “solidariedade social”, numa falsa dicotomia que visa escarnecer o trabalho dos que professam a fé católica. Chamem-lhe os nomes que quiserem, mas a verdade é que a Igreja Católica e as suas instituições, foram e são um apoio decisivo para a sobrevivência de muitas famílias da nossa comunidade. Muitos madeirenses devem a sua educação às escolas que a Igreja levou a localidades onde o Estado não chegava e outros mais novos, ainda hoje, têm uma instrução de qualidade em estabelecimentos de ensino católicos. Muitos cidadãos a quem o infortúnio bateu à porta, como os deficientes, os órfãos, os abandonados, as vítimas de tantas violências e aqueles que ficaram nas “margens do desenvolvimento” encontraram e encontram nas organizações cristãs um lugar de acolhimento e uma oportunidade de renascer para a vida. Muitas famílias carenciadas, as mais pobres das pobres, ignoradas ou enredadas nas burocracias governamentais, sempre tiverem e têm nas Paróquias e nas Confrarias, o apoio e o sustento necessário a um mínimo de dignidade para viver. Se isto é “caridade cristã” então que seja e que venha mais porque bem precisamos.

Obviamente, que o trabalho de solidariedade social não é apenas realizado pela Igreja e que outras instituições da sociedade têm feito um trabalho notável por diversas causas e a favor dos que mais precisam. Ainda bem que é assim, e todos devemos reconhecer e ter orgulho nesses voluntários que muitas vezes se esquecem de si para pensar e ajudar o outro. Mas que isto não sirva para desresponsabilizar os políticos e os Governos e a sua incumbência de fazerem justiça social por via de uma melhor redistribuição da riqueza. Nesta matéria sou favorável a um principio muito simples, que dizem ser de um filósofo chinês, mas que inspirou o marxismo, e que defende o seguinte: “de cada um consoante as suas possibilidades, a cada um consoante as suas necessidades”. A isto se chama equidade social.

Cada um tem a sua Missão e aos Governos e aos Estados compete apoiar a Economia Social, as Instituições da Igreja e as Organizações de Solidariedade Social porque são decisivas para evitar ruturas no tecido social e para termos uma terra mais justa e com mais oportunidades para todos.

Escolhas

Quem?

Vítor Sardinha pelo que tem feito pela música e pela cultura e pelas inúmeras iniciativas que vai dinamizando pelas nossas ilhas.

O quê?

O Engenho Velho do Porto da Cruz, um magnifico museu vivo da arqueologia industrial e onde se prova de um dos melhores “runs” do mundo.

Onde?

Na Livraria Esperança, esta tarde, uma conversa sobre os Caminhos de Santiago, as motivações e as aprendizagens, com Luísa Sousa, autora de um livro sobre o tema.

Quando?

Hoje à noite, o Encontro de Tunas Universitárias da Madeira, que já vai na vigésima terceira edição, no Centro de Congressos do Casino, com a atuação da nossa Tuna e de outras nacionais.

Porquê?

A Festa já chegou à nossa terra e as iluminações encantam, mas porque é que alguns grandes hotéis tardam em colaborar nas decorações de Natal, a começar pelas suas fachadas e jardins?

Como?

Os Governos da Madeira e dos Açores e a Reserva da Biosfera de La Palma vão criar um produto turístico sobre o património das tosquias. Tudo certo, mas então como perceber a má vontade para com os pastores da Região?

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM