Bipolarização, NÃO OBRIGADO!

E quais são as escolhas? Os madeirenses têm 3 opções: a desilusão do PSD, a ilusão do PS e a Esperança do CDS

15 Set 2018 / 02:00 H.

Há uma tendência nas Democracias para reduzir o poder de escolha dos cidadãos nas eleições a duas forças políticas. A situação não é nova, em particular na Europa, onde no século XX, após a segunda grande guerra, emergiram duas grandes famílias ideológicas: a democracia-cristã e a social-democracia, com variantes nalguns países entre conservadores e socialistas e no caso dos Estados Unidos, entre os Republicanos e os Democratas. Esta visão redutora da Democracia estendeu-se depois a outros continentes, nalguns casos com sucesso, noutros constituindo um autêntico fracasso como são os casos de vários países africanos e latino-americanos. A verdade é que esta bipolarização forçada, muito alimentada pelos alemães e pelos norte-americanos com vultuosos financiamentos partidários, e fomentada mediaticamente por poderosos lóbis, foi um dos segredos do sucesso da paz e da prosperidade na Europa, mas está hoje esgotada face à crise de representação nas Democracias europeias. A pura Alternância entre dois partidos, deixando de fora vastos setores da sociedade e uma generalizada corrupção dos sistemas políticos, com descrédito dos eleitos e afastamento dos eleitores, provocou o colapso dessa bipolarização entre os partidos tradicionais e dessa visão redutora dos sistemas políticos. A derrocada dos regimes comunistas, com a vitória do capitalista e da economia de mercado e a diluição das fronteiras ideológicas vieram matar esta dicotomia direita-esquerda.

Hoje, os cidadãos já não se revêm no modelo de Democracia representativa e exigem outras opções políticas e outras formas de participação na política, não reduzindo a sua ação aos atos eleitorais. Daí o aparecimento de novas forças políticas, à esquerda e à direita, de movimentos populistas e de partidos extremistas e radicais, tentando dar resposta ao descontentamento dos cidadãos e às necessidades de renovação reclamadas pelas elites. Se nalguns casos, essas novas forças vieram contribuir para a regeneração da política e para a reconciliação entre eleitores e eleitos, de que os melhores exemplos são o partido Ciudadanos de Albert Rivera na Espanha e o Movimento En Marche do Presidente francês, Emmanuel Macron, noutros casos, constituíram autênticas aventuras populistas como o Podemos espanhol ou o Movimento 5 Estrelas do comediante Beppe Grillo na Itália. Estes últimos partidos anti- sistema, podem ter muita graça e até alguma sedução, mas vivem do protesto e da farsa e podem ser muito perigosos quando ganham poder ou chegam a lugares de governação. Normalmente, fazem muito pior do que os chamados partidos tradicionais, mas enquanto não são testados vão-se alimentando eleitoralmente da promessa fácil e populista. O mesmo se diga da emergência de partidos de extrema-direita que, aproveitando-se da grande vaga migratória que invade a Europa e da crise nalguns setores do operariado, cavalgam o racismo e a xenofobia e atingem resultados eleitorais preocupantes. O fenómeno Trump, pouco compreendido no velho continente, é um produto que tem a sua génese numa América profunda que não se sente representada em Washington, nem por Republicanos nem por Democratas, e que perdeu poder económico com a globalização.

A Reforma da Democracia, não se pode fazer, acentuando a bipolarização, porque isso afunila as opções de escolha dos cidadãos e dá origem ao aparecimento destes epifenómenos radicais e perigosos para a estabilidade política e social das comunidades. É assim, também na Madeira. Querer reduzir as próximas eleições regionais a uma escolha entre PSD e PS, ou entre Miguel Albuquerque e Paulo Cafofo, é redutor e pode levar a excessos de concentração de poder arriscados que nós tão bem conhecemos e cujas consequências lamentamos e ainda pagamos.

A Europa que integramos já percebeu esta realidade e a verdade é que 24 dos 28 países que compõem a União, são governados por coligações de 2 ou mais partidos. Fortalece a Democracia, garante uma Governança mais equilibrada, assegura maior transparência e evita os abusos de poder. Claro que há partidos com maior propensão e preparação para governar, pelos seus programas e quadros, e outros que, legitimamente, nasceram para estar na oposição, recusando-se a assumir poder, mas que representam franjas importantes da população. E aqui nasce aquilo a que em Portugal se convencionou chamar de “arco da governabilidade” e que é constituído pelo PSD, o PS e o CDS. Não é por acaso que o PCP e o Bloco não integram o Governo da República, apesar de o apoiarem. Na Madeira, só governou o PSD, mas é óbvio que a sua maioria absoluta já era e que das próximas eleições sairá um Governo de coligação. Resta saber que partidos a vão integrar e que força terá cada um nesse Governo, na certeza de que quanto maior o equilíbrio entre eles, melhor será a governação da Região.

E quais são as escolhas? Os madeirenses têm 3 opções: a desilusão do PSD, a ilusão do PS e a Esperança do CDS. Do seu voto dependerá o próximo Governo da Região.

Escolhas

Quem?

Diana Silva, uma jovem madeirense apaixonada pelo mundo do vinho que acaba de lançar três vinhos (tinto, branco e rosé) com a casta Tinta Negra. Vamos provar esta “Ilha” apetitosa.

O quê?

O espetáculo desta noite de Rodrigo Leão no Teatro Municipal. Imperdível, as sonoridades de um dos mais inovadores e conceituados compositores portugueses.

Onde?

No Caniçal, a Festa da Piedade este fim de semana, com a tradicional e bela procissão marítima e na Ponta do Pargo, a Festa do Pero, onde sobressai a nossa rica ruralidade.

Quando?

De hoje até dia 16, nas piscinas da Penteada, o Europeu de Juniores Femininos de Pólo Aquático. Tendo sido um dos seus impulsionadores nos anos 80, só desejo que a modalidade ganhe força na Região.

Porquê?

Continua o triste espetáculo do Governo e de algumas Câmaras a distribuírem cheques em cerimónias públicas. Antes só os pobres eram chamados, mas agora os empresários também têm que marcar presença.

Como?

Há uma nova espécie de políticos “verdes” que se julgam com superioridade moral sobre os outros. Dizem ser um poço de virtudes e quais virgens ofendidas reagem mal às críticas. Habituem-se!

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM
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