As regras do jogo

Talvez fosse bom começar por falar a verdade e explicar aos jovens que já não basta um curso para serem alguém na vida. A competitividade aumentou e o mercado tornou-se mais dinâmico

25 Jan 2018 / 02:00 H.

Interrogo-me desde novo acerca da finitude dos recursos que temos à nossa disposição e de que forma deveria ou deve ser a perfeita racionalização dos mesmos. Acho que ganhei esta mania a jogar Monopólio com os meus primos. No fundo o nosso Mundo e o equilíbrio da sociedade giram em volta disso mesmo. Se assim não fosse ninguém teria que trabalhar, nem que produzir, não teríamos por isso que batalhar para conquistar o que temos e o que queremos dar aos que estão mais perto de nós e talvez viver perdesse também aí todo o seu interesse ou encanto.

O efeito subsequente do facto dos recursos serem limitados é o que nos leva a gerir, a fazer escolhas e a tomar posições. É por isso que a gestão é tão importante na vida. Gestão familiar ou profissional, de recursos humanos ou de produto, de alimento ou medidas. Quem tem que gerir é quem tem que tomar decisões e por vezes é muito injusto esse peso que uns têm que carregar. O da responsabilidade. É por isso que quase sempre o prazo de validade de quem nos governa é curto. Porque é muito mais difícil agradar do que desagradar. E mais difícil ainda é usarmos o poder que esse peso nos dá para sermos justos para aproximarmos as pessoas e lhes proporcionarmos as ferramentas para que possam ter qualidade de vida.

É por isso que temos que fazer escolhas, muitas delas nada fáceis porque no fim do dia a manta nunca é suficientemente comprida e se tapamos de um lado há um outro que vai ficar destapado. Não será muito difícil de explicar isso na teoria. Na prática a conversa é outra porque quando nos toca a nós... É óbvio que o que todos queremos sempre é que se diminuam impostos e os tempos de espera no serviço nacional de saúde, que existam o dobro de pessoas com o curso de professores do que a nossa necessidade nas escolas mas que se arranje emprego para todos, que mesmo que a população esteja envelhecida e tenhamos um problema grave na segurança social a curto prazo todos tenhamos direito à justa reforma para a qual descontámos. Mesmo sabendo que, quem desconta hoje em dia, não cobre o suficiente para pagar os reformados que temos cada vez mais por cá porque felizmente a esperança média de vida está a aumentar.

Já para não falar dos artistas que nos roubaram milhões nos bancos e em mil e uma parcerias público-privadas e que ainda tornaram isto mais difícil.

É por isso premente que nos preparemos para esta nova realidade e para este Mundo Novo de recursos cada vez mais limitados adaptando-nos a ele para que cada vez mais nos nivelemos por cima. Talvez fosse bom começar por falar a verdade e explicar aos jovens que já não basta um curso para serem alguém na vida. A competitividade aumentou e o mercado tornou-se mais dinâmico. Hoje em dia não basta sermos, temos que ser os melhores, procurar a diferença na criatividade e na capacidade de trabalho. Distinguirmo-nos e sabermo-nos adaptar às diferentes variáveis e circunstancias. É mais rentável ser um grande pedreiro do que um fraco advogado.
É fundamental também começarmos a dar verdadeiras condições às mulheres para poderem ser mães sem perderem o seu estatuto as regalias e os seus objectivos profissionais. A natalidade precisa de ser instigada e apoiada. Arranjar uma forma de “reciclar” os reformados que temos. Uma pessoa de 65 anos hoje em dia não pode ser considerada velha e a sociedade em vez de os tratar como inúteis tem que lhes proporcionar oportunidades para criarem valor e se sentirem integrados. É bom para todos. Temos que começar também a mudar o chip e equilibrar a importância do PIB (Produto Interno Bruto) com o FIB (Felicidade Interna Bruta) . Viver melhor, qualidade de vida. Ensinar novamente a não roubar a não estragar e a não gastar o dobro do que se ganha porque alguém vai ter que pagar. Na vida como no monopólio estamos sempre sujeitos a que uma carta de Sorte nos mude o rumo. São as regras do jogo. Fazermos por diminuir o seu possível impacto chama-se gerir bem os recursos limitados que temos à nossa disposição.

José Paulo do Carmo