“A Mão Invisível”

Engraçado como, ultimamente, começamos a ler aqui e ali, à boca cheia, uns “entendidos” em liberalismo mandarem umas papaias falando do que não conhecem nem sabem

15 Mai 2018 / 02:00 H.

1. Disco: só para dizer que está aí o novo Artic Monkeys que dá pelo nome de “‘Tranquility Base Hotel & Casino’. E mais nada.

2. Livro: “As Cruzadas Vistas pelos Árabes” de Amin Maalouf, porque há sempre uma outra maneira de ver as coisas e a nossa verdade é só isso: nossa!

3. O meu Nacional regressou ao lugar que lhe pertence. Têm sido semanas de imensa felicidade, para os que vivem o clube com a intensidade com que se vivem estas coisas. Da minha parte, parabéns a todos os intervenientes: atletas, equipa técnica, dirigentes e acima de tudo aos adeptos, aos fantásticos adeptos. Aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes. É essa a grande lição que temos de tirar desta passagem pelo escalão secundário. Aprender e construir um clube grande, à dimensão da grandeza dos seus sócios e simpatizantes. Rui Alves, a quem os nacionalistas terão sempre uma enorme dívida de gratidão, anunciou que se vai recandidatar. Era bom que dissesse ao que vai ou se, mais uma vez, o faz sem programa. E já agora secundado por quem.

Mas o momento é de festa. Deixemos então a festa para a festa e as eleições que se aproximam para o momento apropriado.

4. Engraçado como, ultimamente, começamos a ler aqui e ali, à boca cheia, uns “entendidos” em liberalismo mandarem umas papaias falando do que não conhecem nem sabem. Lêem uma ou outra cartilha, sim porque na política também as há e, depois, arrotam postas de pescada, como se fossem “cabos especialistas” no assunto. Hoje vamos à tal terrorífica de “mão invisível” que esse “demónio” que dá pelo nome de Adam Smith descreveu, falando nela uma única vez, nesse debochado tratado económico que dá pelo nome de “A Riqueza das Nações”. Não vou perder muito tempo a tentar explicar aos “doutos” devoradores de meias verdades que, se algum dia se derem ao trabalho de ler este livro, seria bom que antes de o fazer lessem, do mesmo autor, a “Teoria dos Sentimentos Morais”. É que para se poder perceber um pouquinho que seja sobre o que é e o que pretende o liberalismo, essas leituras terão de ser feitas pois não se consegue entender na íntegra um sem ler o outro.

Então, o que é esta coisa da “mão invisível”? Adam Smith escreveu o livro que a refere (reafirmo: uma única vez em todo o texto) em 1776. Pasmem estes “eruditos” no autor que nunca leram, a tal de aterradora “mão invisível” não é mais do que aquilo que mais tarde foi definido como a “lei da oferta e da procura”. Para os marxistas empedernidos, anda bem perto daquilo que Marx definiu como a “lei do valor”.

Mas, para esses iluminados que não sabem do que falam, a “mão invisível” é assim a modos que uma mão enluvada que, às escondidas, leva as famílias à falência, rouba as poupanças, destrói as pequenas empresas. Uma mão de unhas compridas e sujas, toda gretada, que é a bendita responsável pelo “estado a que isto chegou”. Ah, se não fosse a “mão invisível”, que bem que estaríamos. É por culpa dela que tivemos que levar com a troika e a austeridade e as falências fraudulentas e os BPN e BES e BANIF. É por culpa dela que temos um sistema onde a promiscuidade entre alguns políticos e as grandes empresas é uma realidade.

Mas, meus caros “dicionários com pernas”, estão ridiculamente errados. A maldita “mão” é bem visível afinal pois não passam das forças do mercado que auto-regulam a oferta e a procura de bens e mercadorias, no mercado livre, de modo a que se atinja um equilíbrio benéfico para produtores e consumidores. Mais e diversificada oferta faz com que o consumidor possa adquirir o produto que procura a preço mais baixo e mais justo. E isso é o que todos queremos, não é assim, oh meus caros “intelectualóides”?

Ainda por cima, o maldito do Adam Smith escreve, e isto por várias vezes, que este mecanismo pode ser posto em causa por, imaginem, a tendência monopolista de empresários pouco escrupulosos ou pelo próprio Estado, aceitando que este último, quando tal acontece, possa exercer uma função reguladora. Tudo o que não permita ao mercado funcionar de modo livre, deixando a oferta e a procura funcionar sem interferência, não pode ser permitido.

Termino deixando as minhas desculpas aos “sabichões de pacotilha” por vos dar cabo do mito da tal de “mão invisível” que tanto tentam que sirva como bicho papão para quem querem convencer de que, por detrás de um liberal, está um maldito de um explorador capitalista.

5. A Iniciativa Liberal fez a sua Convenção Programática e apresentou ao país o seu programa político. Vão lá ver e fiquem a saber que afinal são muito mais liberais do que aquilo que pensam.

6. No passado dia 7, o Czar da Rússia, Vladimir Putin, tomou posse prometendo defender os direitos e as liberdades na Rússia. Mas é só a partir desse dia porque na véspera foram mais de mil presos por exercerem o seu direito à manifestação em liberdade...

7. O Estado é uma máquina pesada e gorda. Se lhe delegamos liberdade, temos todo o direito de lhe exigir que faça uma dieta e exercício de modo a se manter seco e forte. António Costa não quer aumentar os funcionários públicos porque assim não terá dinheiro para contratar mais funcionários públicos. António Costa prefere criar clientelas a pagar melhor e a motivar os que já lá estão a maior parte das vezes com capacidade para produzirem muito mais. António Costa quer um estado balofo, burocrático, complicado, a controlar tudo e todos, a por nós decidir o maior número de coisas pois acha-nos incapazes de fazer escolhas. É este o Secretário-Geral do Partido Socialista, é este o Primeiro-ministro de Portugal.

8. Parabéns à RTP. A festa foi bonita pá, apesar de teres convidados que nem te agradeceram. A deferência é uma coisa bonita, principalmente para quem tão bem recebeu. A classificação de Portugal é uma indignidade para quem lhe a atribuiu. Não era, de longe, a melhor música, mas também estava muito longe de ser a pior!

9. José Manuel Rodrigues escreveu nesta página uma crónica muito boa sobre “o maior inimigo do madeirense ser o próprio madeirense”. Não concordo muitas vezes com ele mas, desta vez, não poderia estar mais de acordo. Enquanto formos perdendo tempo a nos invejarmos em vez de nos admirarmos uns aos outros, seremos sempre fraco povo.

10. No passado sábado tive a honra, e o prazer, de apresentar e moderar a 1.ª Conferência de Parentalidade, “Pais à Maneira”. Um conjunto de palestrantes de primeira apanha proporcionaram, a quem assistiu, um encontro de ideias e uma frutuosa partilha de experiências. Os meus parabéns ao DN por tão fantástica iniciativa.

11. O CDS de Almada fez um cartaz a dizer que a “Eutanásia Mata”. O meu muito obrigado ao CDS de Almada. Por mim nunca chegaria lá.

12. “Tem-se a impressão de que o que hoje existe é uma direita de imbecis face a uma esquerda de idiotas.” - Marcel Gauchet.

Nuno Morna

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