A Madeira aqui tão longe...

A Madeira mais do que dinheiro precisa de condições, de atenção e de proximidade

12 Abr 2018 / 02:00 H.

Esta semana em tom de desabafo, meio a brincar mas muito a sério a minha Tia confidenciou-me que só espera voltar à Madeira se eu por cá me casar ou por algum outro motivo de extrema importância. E a razão é bem simples de explicar. Há 9 meses os meus Tios decidiram marcar umas férias em família e a escolha recaiu na nossa Ilha Mágica. Acontece que já no aeroporto o voo foi cancelado sem possibilidade de re-marcação nos dias seguintes. Após exaustivas diligências conseguiram que a TAP lhes concedesse um voucher (tão em voga) que lhes permitia realizar a mesma viagem no espaço de um ano. Acontece que o Hotel onde iriam ficar (que não tem culpa nenhuma da situação, refira-se) embora muito amavelmente lhes tivesse também concedido a hipótese de usufruirem desses 5 dias sem custos limitou esse tempo aos 9 meses seguintes, o que se percebe para não calhar novamente por altura do Verão onde a procura e os preços são mais elevados. Até aqui ainda se entende. Os imprevistos acontecem.

Aproveitando as férias da Páscoa e porque o limite dos vouchers estava a chegar ao fim, decidiram marcar novamente a sua viagem para a semana que passou. No dia anterior à sua partida perceberam que o voo se encontrava cancelado por razões técnicas. Não tiveram outra alternativa senão remarcar para o dia anterior à noite tendo incorrido em custos por mais uma noite de estadia. Lá prosseguiram a sua odisseia e como não poderia deixar de ser adoraram as paisagens, o mar, a natureza e a hospitalidade dos madeirenses. Mas como um “azar” nunca vem só, quando se preparavam para regressar a Lisboa, qual não é o seu espanto (ou talvez não... ) quando se apercebem que o voo estava também ele cancelado. Resultado, com afazeres pessoais e profissionais inadiáveis tiveram que apanhar outro avião, desta feita para o Porto, para aí fazerem a ligação para Lisboa (que se encontrava 02h00 atrasado) e chegaram a casa às 04:00 da manhã. Inesquecível portanto...

Entre tudo isto, telefonemas intermináveis para o serviço de apoio ao cliente da TAP, esperas de 1 hora a darem música para ver se os clientes se cansam, chamadas que caiem e zero de pro-atividade na busca de soluções que resolvam a declarada incompetência. Trapalhadas e mais trapalhadas. Ou seja uma total ausência de respeito e de educação por pessoas que são seus clientes e que ainda para mais estão a ser lesados por um serviço que falhou. Onde é que estão os Provedores dos utentes, os reguladores e as entidades competentes para colocar cobro a isto? Quem é que trata de nós quando as filas para o balcão das companhias são intermináveis e os call-centers pura e simplesmente não funcionam? Não há uma água para idosos ou refeição para quem espera horas por notícias. É uma bandalheira e uma pouca vergonha. Consultas que se perdem, reuniões importantes desmarcadas, férias canceladas.

Enviei há poucos dias pelos CTT 3 folhas para estarem no dia seguinte na Madeira. Paguei 20,88€. É para isto que a Madeira faz parte de Portugal? Quando os preços dos voos e as suas confusões fazem os Continentais equacionar uma viagem para a Madeira com a mesma complexidade de uma para a Austrália? Quanto à história da dívida já enjoa. A Madeira mais do que dinheiro precisa de condições, de atenção e de proximidade. O Estado Português (e não é só de agora) faz lembrar os Pais obcecados pelos seus afazeres que dão dinheiro para calar os filhos quando no fundo o que estes precisam é de condições, de atenção, presença e de acompanhamento. Não basta dizerem que emprestaram dinheiro para pagar a dívida e que está bom. As ilhas precisam de muito mais que isso. Fazem parte de Portugal, têm dificuldades devido à sua conjuntura geográfica mas aquilo que as separa do Continente é bem mais forte e preocupante do que o Mar...

José Paulo do Carmo
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