A Hora Mais Clara

Mal sabia o nosso herói, o quanto lhe estávamos agradecidos, pois também, nestas ilhas, a sua A Hora mais Negra ia um dia tornar-se a Hora mais Clara da Liberdade.

27 Jan 2018 / 02:00 H.

Os verdadeiros lideres são forjados nas horas de aperto e revelam-se nos momentos difíceis. Foi o que aconteceu com Winston Churchill na Segunda Guerra Mundial, quando teve que enfrentar Hitler e unir a Inglaterra para uma dura e árdua batalha. É conhecido o que prometeu nesses tempos, aos seus concidadãos: “sangue, suor e lágrimas”.

“A Hora mais Negra”, é um extraordinário filme, num cinema perto de si, sobre a atuação de Churchill na Primavera de 1940, ante a invasão nazi da França e sobre a forma como dirigiu a evacuação dos militares ingleses e franceses de Dunquerque. A operação foi bem-sucedida e demonstrou bem de que fibra era feito este homem que após ter vencido a guerra perdeu as eleições, voltando depois a ser Primeiro-ministro já nos anos cinquenta. Mas isso são outras pequenas estórias de ingratidão. A História, a que conta, diz-nos que nesses dias difíceis, em que muitos políticos, diplomatas e militares ingleses queriam ceder aos nazis e encetar negociações com a Alemanha, com receio de uma invasão do seu país, o corajoso Churchill lançou o grito:” Nós nunca nos renderemos”! Conseguiu fazer uma grande coligação de Governo entre conservadores, trabalhistas e liberais e, assim, mobilizou a Nação para travar os horrores do genocídio e defender os valores da civilização ocidental. Ver este filme deveria ser obrigatório para todos os europeus e para todos aqueles que amam a Liberdade e a Democracia.

É verdade que, a determinada altura, Churchill, um político excêntrico e fora dos padrões habituais em Londres, ficou isolado no Gabinete de Guerra, pois duvidavam da sua estratégia de resistência, face à desproporcionalidade de armamento e de homens entre os exércitos alemão e inglês; é certo que ele, um confesso atlantista, recorreu aos Estados Unidos para que lhe cedessem aviões e não teve sucesso; assim como é igualmente certo que ele próprio, perante tamanhas dificuldades, também vacilou, mas nunca se deixou abater e derrotar. Quando as elites lhe falharam, o líder foi buscar ao patriotismo do povo inglês a força e a inspiração que precisava para fazer face ao nazismo e ganhar a Guerra. Um líder tem dúvidas e engana-se muitas vezes, mas mesmo nessas ocasiões, Churchill só pensava: antes a morte que a submissão.

O grande leão era um homem de excessos na sua vida pessoal e política e dono de um humor e de uma frontalidade que chocavam as mentes mais conservadoras onde militava. Jornalista, militar, escritor, pintor, Churchill era politicamente incorreto. Conta-se que um dia uma deputada trabalhista o acusou de estar bêbado numa sessão parlamentar. Ele respondeu que esse era um problema que estava sanado na manhã seguinte, ao contrário da senhora que era feia naquele dia e assim seria toda a vida...De outra vez, li um dia destes, que Bernard Shaw, que também esteve na nossa ilha, enviou a Churchill, com quem não se dava, dois convites para a estreia de uma peça teatral da sua autoria, com uma provocação: um dos convites era para o Primeiro-Ministro o outro era para levar um amigo... “se o tiver”! Churchill encaixou, agradeceu os convites, desculpou-se por não poder ir à estreia, mas predispôs-se a ir a uma segunda representação...”se houver”!

Nos momentos mais dramáticos da guerra, Churchill oscilava entre o seu proverbial mau feitio e essa fina ironia que desconcertava os seus interlocutores, o que lhe conferia o estatuto de um temível líder que amedrontava adversários internos e ponha em sentido os companheiros de partido. É, também, conhecida a sua grande capacidade de escrita com frases que ficaram lendárias, que o levaram a ganhar o Nobel da Literatura, isto para além de ser um notável orador, de que é o melhor exemplo, aquele extraordinário discurso no Parlamento onde convenceu a Inglaterra a não desistir e a resistir ao avanço das forças hitlerianas. Nesse dia, o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Lorde Halifax, defensor da negociação com os alemães, foi obrigado a proclamar: “Churchill acaba de convocar a língua inglesa para a frente de batalha”! Agora é perder ou ganhar. Felizmente a Inglaterra e os Aliados venceram a guerra contra a barbárie.

Em janeiro de 1950, quando foi recebido com grande admiração e fervor pelos madeirenses, Sir Winston Churchill terá comentado com os seus anfitriões: “já fui cumprimentado por muitas pessoas neste mundo por quem fiz alguma coisa, mas nunca, em toda a minha vida, fui tão entusiasticamente recebido por quem nunca fiz nada”. Mal sabia o nosso herói, o quanto lhe estávamos agradecidos, pois também, nestas ilhas, a sua A Hora mais Negra ia um dia tornar-se a Hora mais Clara da Liberdade.

Escolhas

Quem?

Marcelo e já lá vão 2 anos na Presidência. Podemos não apreciar o excesso de palavras e de imagens, mas temos que reconhecer a sua isenção no cargo e o seu enorme contributo para reconciliar os cidadãos com a política.

O quê?

A Associação de Caminho Real que está a fazer um trabalho decisivo para a recuperação e divulgação das antigas vias que a exemplo das levadas constituem um património único que pode e deve ser rendibilizado.

Onde?

No SCAT, na promenade do Lido, nesta terça ao fim da tarde, a segunda edição do RASGO Cultura, sobre os 600 anos destas ilhas, com criadores e gestores culturais. Espera-se irreverência e recomenda-se.

Quando?

De 2 a 8 de fevereiro, no Baltazar Dias, o espetáculo OVNI (onde vive a nossa infância) criado pela Contigo Teatro com base na obra Lago dos Encantos de Maria Alberta Menéres.

Porquê?

Até a construção do Novo Hospital já é motivo de acusações entre o Governo e a Câmara do Funchal, depois da polémica da Ponte Nova. As eleições ainda vêm longe. Porquê a pressa?

Como?

Discute-se o subsidio de mobilidade porque as viagens estão caras e há famílias que não podem adiantar os valores. Nada mais certo. Mas como se explica e quem fiscaliza os preços praticados pelas companhias?

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM
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