A Avenida do Mar

Não faz sentido nenhum, num espaço nobre como aquele, estarem instalados a GNR, a Alfandega, a Capitania e a Polícia Marítima, a Direcção Regional do Comércio, e não sei mais o quê.

30 Dez 2016 / 02:00 H.

A rua mais valiosa do Funchal é a Avenida do Mar. Para mais depois da intervenção feita na baixa com grande sucesso e aprovação popular. Aprovação e uso. Para tudo e para mais alguma coisa. Vai tudo bater à Praça do Povo.

Depois de ter sido feita a Praça do Mar que é, e não pode deixar de ser, uma praça pública e ter sido alargada a Avenida Sá Carneiro para quatro faixas (há quem se tenha esquecido depressa o que aquilo era antes, duas faixas e um parque de contentores que já ia em cinco andares) e redefinida a Praça da Autonomia, falta concretizar a continuação até São Tiago. Chegando junto à Zona Velha da Cidade. Sem obstáculos, com circulação automóvel e com os autocarros a irem dormir para outro lado. Fazendo desaparecer aquele monstro inestético que é a Etar por ali ainda colocada.

Do outro lado, mais a oeste, igual destino deve ser dado à Lota terceiro-mundista, fora de sitio, com uma “pinturinha” própria de um prédio que parece já reservado para abater.

Depois é transferir tudo o que é instituição pública da Avenida. Não faz sentido nenhum, num espaço nobre como aquele, estarem instalados a GNR, a Alfandega, a Capitania e a Polícia Marítima, a Direcção Regional do Comércio, e não sei mais o quê. Quase todos eles edifícios desadequados para as funções que hoje aquelas entidades exercem. A Alfândega, por exemplo, creio que não ocupa nem um terço do prédio e a Direcção do Comércio até já está fechada.

Para além da EEM (esta com poucas hipóteses de deslocalização) e um parque de estacionamento com três andares acima do solo.

Porque ali devem é ficar pequenos hotéis, restaurantes, cafés, lojas de marca. Transformávamos assim a Avenida no espaço público mais importante, valioso e apetecível da cidade e da Região. Tal como outras capitais tem a sua rua principal ou zonas turísticas de eleição. E garantíamos o sempre necessário investimento, o desenvolvimento da actividade económica, uma previsível apreciável dinâmica comercial, mais emprego e o consequente aumento das receitas fiscais.

Quando decorriam as obras de toda a frente mar tive a oportunidade de levar em sucessivas ocasiões empresários para “in loco” constatarem o que ali se fazia e estava previsto. Acrescentei-lhes que gostaria de ver aquela Avenida um dia a funcionar nos moldes que descrevi acima. Foi com agrado que verifiquei que já começaram a se instalar por lá perto como na Praça do Mar e no Molhe. É um bom principio. Um bom pontapé de saída.

Falta agora que as instituições publicas regionais continuem complementando o trabalho ali já realizado e contribuam activamente para mudar as instalações dos serviços do Estado e da Região para locais mais adequados do que aqueles. E teremos uma Avenida do Mar lindíssima (porque linda já está) e uma baixa da cidade do mais bonito que haverá por esse mundo fora. Com a Zona Velha e as avenidas do Mar e Sá Carneiro mais juntas. E cada vez mais vocacionadas e apetrechadas para oferecer condições excepcionais para os turistas e para a população residente. Assim a cidade evolui graciosamente, a Região turística agradece, a economia cresce e os madeirenses aproveitam e desfrutam.

Não passa de um sonho? E não é sempre assim que tudo começa?

João Cunha e Silva