♩♫♪♬ Juntaram-se os Três à Esquina... ♩♫♪♬

Neste momento, a ética e a moral política exigiam recato em relação ao assunto. Exigiam um período de nojo.

07 Nov 2017 / 02:00 H.

1. A reler, salvo erro pela terceira vez, “Siddhartha” de Hermann Hesse. Não que precise de “me descobrir” mas porque há coisas de difícil entendimento. Principalmente quando têm a ver com a incapacidade de ver para além do umbigo, quando a decisão se toma pela presunção.

2. Sempre que ouço a música do deserto profundo do Mali ficam-me poucas dúvidas da origem dos Blues. Caiu-me, há dias no colo “Long Road To Tiznit” de Ramon Goose, uma fusão dos blues do deserto com aqueles a que deram origem no sul dos Estados Unidos. Excelente música para uma crónica de quebra anca.

3. No CDS arrebita a periquita. Até abaixo assinados se fazem para pôr em sentido o presidente da concelhia do Funchal por este ter decidido coisa da sua competência. Parece que Nelson Ferreira não cumpriu com algo que não foi decidido em lado nenhum. Confuso? Sim! Espantado? Por incrível que pareça: NÃO!

4. O PS apresentou uma moção de censura ao Governo Regional. A oposição falava da região e o Governo/PSD sacudia o capote falando da Geringonça que governa em Lisboa. Confuso? Sim! Espantado? Por incrível que pareça: NÃO!

5. Rui Barreto fez um bom discurso. Disse que o Governo de Albuquerque não cumpriu na Saúde, não cumpriu na Mobilidade, não cumpriu na Fiscalidade, não cumpriu nas Contas Públicas. Nos dois anos que governou não cumpriu com os objectivos e quis saber que garantias dava para que nos dois anos que faltam venha a cumprir com o que prometeu. A intervenção de Miguel Albuquerque deve ter sido brutal. Tão brutal que eu, que segui o debate todo, não me lembro dela. Mas resultou. A explicação deve ter sido muito boa. O CDS absteve-se. Confuso? Sim! Espantado? Por incrível que pareça: NÃO!

6. No debate do orçamento da República ora sabemos que na especialidade o Hospital vai ser consignado, primeiro ministro dixit, ora vemos isso negado, ministro das Finanças dixit. Estes gajos bem que podiam ir tomar um café juntos e porem-se de acordo. Nem parecem do mesmo governo.

7. A Câmara do Funchal apresentou, no Largo do Colégio, um fantástico espectáculo de vídeo mapping realizado pelo OCUBO. “Portas de Luz” de seu nome. Quem o não viu não sabe o que perdeu. Agora o que não pode é a CMF vir dizer que é o primeiro que se faz na Madeira. É mentira. Já se fizerem vários. Até me lembro de um por alturas das comemorações dos 500 anos do, pasme-se, Funchal em 2008. Em 2011 tive a enorme honra de ser a voz de um espectáculo multidisciplinar cujo “focus” era, precisamente, o vídeo mapping. Foi em São Jorge nas comemorações dos 250 anos da sua Igreja Matriz. Um espectáculo belíssimo organizado e coordenado pelo Maestro Nelson Sousa na altura regente da Banda de Machico. Os textos foram recolhidos pelo João Márcio de Matos e a música era tocada ao vivo pela banda. Explosões, pirotecnia, um excelente espectáculo. Ah, e tudo feito com a prata da casa.

8. Correm notícias de que a companhia aérea finlandesa Finnair vai pesar os passageiros no check-in. Se a moda pega estou bem lixado...

9. Em cena digna de um episódio de Mr. Bean, foi hilariante ver, no debate do Orçamento, o ministro Pedro Marques a fazer um esforço épico para não adormecer com o discurso soporífero de Vieira da Silva. Antológico.

10. Parabéns à AJEM por entender que certos eventos só fazem sentido se ocorrerem em espaços dignos e não em vãos de bancada de estádios de futebol.

11. Morreu o Sr. Vieira Dias. Conheci-o aquando da minha passagem pela Associação de Andebol. Era presidente do Académico de Fátima. Pessoa calma, recta, de enorme verticalidade. Um gentleman no trato, coisa que se vai vendo cada vez menos. Deixa muitas, muitas saudades.

12. - “Eu quero dizer que quero cumprir este mandato. Eu estou a candidatar-me para cumprir este mandato na Câmara Municipal do Funchal.”

Pergunta o jornalista: - “Mesmo que eventualmente em 2019 um partido ou uma coligação possa-lhe acenar com a possibilidade de ser candidato?”

- “ Eu fui claro ao dizer que quero cumprir este mandato”.

Jornalista: - “Não admite concorrer à Presidência do Governo Regional durante estes quatro anos?”

- “Fui claro nesta questão!”

As palavras acima transcritas têm pouco mais de dois meses. Em dois meses a “clareza” esboroou-se. Na política, como no futebol, o que “ontem era verdade, hoje é mentira”. Aquando da apresentação da candidatura do presidente da câmara do Porto Moniz à liderança do PS, tivemos a oportunidade de assistir a coisa nem por isso muito rara: um suicídio político. Quem é tão taxativo e assertivo a dizer que vai cumprir o mandato de presidente da câmara do Funchal até ao fim, assumindo assim um compromisso com quem o elegeu, não pode, dois meses depois, dar claríssimos sinais de que aceita sentar-se à mesa da última ceia de Emanuel Câmara e presidir ao repasto.

Até aceito que se isto fosse feito de outra maneira, lá por inícios de 2019, se poderiam arranjar uma série de razões objectivas para que Paulo Cafôfo abandonasse a CMF e se candidatasse à presidência do Governo Regional.

Neste momento, a ética e a moral política exigiam recato em relação ao assunto. Exigiam um período de nojo.

É evidente a táctica parola: como até aqui a coisa do ignorar acusações até tem resultado, vamos fazer o mesmo. Enterramos a cabeça na areia e deixamos que falem do assunto não o comentando. Uma parolice demonstrativa de que pelo Largo do Colégio impera o mau conselho.

Juntaram-se os três à esquina

A tocar a concertina e a dançar o solidó

13. E entretanto na Pontinha a fronteira do Principado continua encerrada...

Nuno Morna

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