Binge Drinking - jovens em risco

26 Ago 2018 / 02:00 H.

Os meses de verão, em particular, são propícios a ambientes festivos por toda a ilha, com celebrações, tanto de ordem religiosa como secular, proporcionando oportunidades de acesso facilitado a bebidas alcoólicas, facto tolerado culturalmente. Preocupa-me, em particular, o consumo entre adolescentes e pré-adolescentes, que parecem encontrar condições muito favoráveis à experimentação e consumo de álcool.

Está demonstrado que a precocidade do início de consumo é responsável por uma maior probabilidade de ocorrência de dependência alcoólica, assim como de consequências diretas a nível do sistema nervoso central, com défices cognitivos e de memória, limitações a nível da aprendizagem, assim como, ao nível do desempenho escolar e profissional.

O Decreto-Lei n.º 50/2013 criou um “regime jurídico de disponibilização, venda e consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos e em locais abertos ao público, com fundamento no imperativo constitucional de proteção da saúde dos cidadãos”. Neste decreto, previu-se a realização de um estudo, até 1 de janeiro de 2015, sobre a aplicação deste mesmo regime, de modo a serem analisados os padrões de consumo de álcool por jovens e adolescentes em particular. Revelados os resultados do estudo, constatou-se que continuam a existir elevados níveis de comportamento de risco e de excesso de consumo, sendo que os jovens de 16 anos mencionam mesmo haver uma cada vez maior facilidade no acesso às bebidas. Isso é perfeitamente constatável.

Pode-se alterar a legislação, mas é preciso que se garanta o seu cumprimento, por parte dos agentes da lei. Isto, por um lado. Por outro, espera-se que os comerciantes contribuam e cumpram com a lei, o que nem sempre acontece, em detrimento do lucro. Se, por um lado, temos um controlo mais apertado nos estabelecimentos de restauração e bebidas, por outro, a fiscalização e salvaguarda da lei parecem ficar aquém, nos festivais e festas de verão que proliferam.

O que não compreendo é como os responsáveis diretos pelos adolescentes, pais e educadores, permitem e facilitam esse acesso a jovens com menos de 16 ou 18 anos (alteração mais recente à lei), sabendo dos malefícios do álcool. Choca-me ver, pela noite dentro, com a permissão dos pais, indivíduos com 13 ou 14 anos acompanhados apenas por outros jovens, tantas vezes já em estado ébrio e sujeitos a situações que podem colocar a sua integridade física em risco, no mínimo.

Haja coragem para dizer não e aplicar a lei.

Sofia Canha

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