Web Some-te

18 Ago 2018 / 02:00 H.

Com a mesma velocidade (ou, eventualmente, “leveza”) com que convidou Marine Le Pen para ser oradora na próxima edição da Web Summit, a organização do evento retirou (ou foi forçada a retirar) o convite.

Bastou, para tanto, uma manifestação em peso da Esquerda Unida, mais uma vez liderada pelo Bloco de Esquerda, contra a alegada tentativa de “normalização da extrema-direita” e de “passar mensagens de xenofobia e racismo” que tal participação alegadamente representaria.

E estes – eloquentes – argumentos foram suficientes para cortar a palavra a alguém que, bem ou mal, recolheu a confiança de mais de 30% do eleitorado de França, nação que, curiosamente, deu ao mundo os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade, que, como é sabido, constituem as “fundações” da generalidade dos regimes republicanos, constitucionais e democráticos da era moderna europeia.

Que fique claro: a simpatia que nutro pela Sra. Le Pen, pela Frente Nacional e pelas ideologias que defendem, é a mesma que nutro pelo Bloco de Esquerda e pelos ideais defendidos pela extrema-esquerda. Ou seja, nenhuma.

No entanto, o facto de – felizmente – vivermos em democracia, não só confere a ambos o direito de exprimirem as suas opiniões, como proíbe que os mesmos sejam impedidos de o fazer livremente. A isto se chama liberdade de expressão, que, até ver, constitui um princípio/direito fundamental do Estado de Direito Democrático (não confundir com o conceito de “democracia” comunista ou socialista preconizado pelos partidos da nossa extrema-esquerda).

Em concreto, é este direito que permite ao Bloco de Esquerda organizar encontros de cariz político, nos quais se podem discutir temas “fracturantes” – alguns deles contrários à Constituição da República vigente – como: “Saída do Euro: há outra saída?” / “Legalizar (e regulamentar!) todas as drogas” / “Direito à boémia: necessidade de vida noturna para produção e radicalização cultural” / “A propriedade é o roubo: debate sobre a socialização dos meios de produção” / “Desobediência civil: como, porquê e para quê” (in Programa do 15.º Acampamento da Liberdade, disponível em https://www.bloco.org/media/ProgramaLiberdade2018_07_2018.pdf)

Sendo certo que, porque tempos houve em que a liberdade de expressão e de opinião (também) não eram reconhecidas, neste encontro também se discutiu o tema: “Quando ser de esquerda era ilegal, a luta antifascista antes do 25 de Abril.” (idem, idem).

Pois bem, este veto ideológico à Sra. Le Pen é bem revelador quer do conceito de democracia e de liberdade de expressão que é perfilhado pela extrema-esquerda portuguesa (acompanhada pela ala trauliteira e órfã de Sócrates do PS), quer do verdadeiro/último objectivo político da mesma.

Ou seja, ilegalizar, em primeiro lugar, tudo o que seja de direita, e, nessa sequência, tudo o que não seja de esquerda e conforme com os ditames de normalidade e de moralidade definida por esta.

Quando esta “Esquerda de Abril” (mas que parece gostar de Março) conseguir conquistar o poder – e já faltou mais –, o painel de oradores da Web Summit (caso esta, enquanto manifestação do capitalismo e da globalização selvagens, possa continuar a existir) será composto, entre outros, por “Democratas” como Nicólas Maduro e Kim Jong-un, e supervisionado por “Estadistas” como Sócrates ou Lula da Silva.

E quando assim for já não existirá censura, nem vetos, pois será tudo decidido, com o aval do voto esclarecido (e, entretanto, já suprimido) dos Portugueses, pelos Líderes Supremos da República Popular de Portugal.

Gonçalo Maia Camelo
Outras Notícias