Uma nova maneira de se financiar

Seria interessante saber no final de um programa o montante cobrado aos telespectadores

16 Mai 2018 / 02:00 H.

Parece que as televisões de todo o mudo conseguiram arranjar uma maneira fácil de se financiarem. Antes havia, no nosso país, só a televisão do estado, com dois canais que eram financiados pela cobrança de uma taxa na fatura de eletricidade, que incluía, também a rádio pública e também pela publicidade. Depois apareceram as televisões privadas, que entraram em guerra com a pública, porque queriam toda a publicidade só para si e assim a pública reduziu os seus tempos de publicidade a favor da privada, que, pelo que se vê e se sente ninguém cumpre essas regras. Existem tempos máximos para publicidade continua para que o telespectador ou radiouvinte não apanhe, em permanência um banho de publicidade, mas parece que ninguém cumpre. Descobriram que apelar aos telefonemas bem pagos dos ouvintes a troco de uns prémios, ou simplesmente para votarem no seu ídolo ou num concurso qualquer e então brindam-nos a toda a hora com muita publicidade do apelo ao telefonema, que penso não está incluído no tal tempo dedicado à publicidade. Na minha opinião, acho que todos ganham: Estado, através do IVA, empresas de telecomunicações que cobram dez centimos por chamada e as televisões cinquenta cêntimos, também por chamada, mas nunca anunciam os valores totais das chamadas, principalmente para os que levam a parte de leão, as televisões. Seria interessante saber no final de um programa com as tais chamadas de “valor acrescentado”, o montante cobrado aos telespectadores idiotas que embarcam na conversa e quanto é que devolvem em prémios, que neste caso não passa de um jogo disfarçado, sem que para isso esteja devidamente licenciado. “ Senhores telespectadores, por apenas 60 centimos + IVA, pode-se habilitar a um prémio de 50.000 euros....” Por outro lado o sorteio, segundo dizem é feito de forma aleatória e de maneira eletrónica, que tem levantado suspeitas nalguns casos. Digam-me lá qual é a diferença entre isto e o “jogo do bicho”? Bem neste jogo não há IVA nem outros impostos para o Estado, mas pelo menos sabe-se em que bicho deu e, portanto se foi premiado, enquanto nas chamadas de valor acrescentado com o sorteio eletrónico e que no final do programa falam pelo telefone, pode não corresponder a um premiado, mas a um suposto “premiado!!!! Quem controla tudo isso? São milhões de euros que diariamente estão em causa, que os telespectadores tiram do seu bolso com a esperança que lhes saia um dinheirinho, financiando assim as televisões publica e privadas. Isto é viciar as pessoas no jogo.

Estávamos mais habituados a outro tipo de jogos em que tudo é feito às claras, com prémios oferecidos em troca de publicidade, em que os concorrentes nada pagam, limitando a inscreverem-se, outros em que têm que demonstrar que são pessoas afortunadas ou têm conhecimentos suficientes para vencerem os respetivos concursos. Tenho dúvidas sobre a legalidade destes “ financiamentos”, até porque nem podemos dizer que é um “auto financiamento”, porque quem financia são os próprios concorrentes.

Enfim “habilidades” que movimentam milhões de euros diariamente, pagos pelos “anjinhos” dos telespetadores e que muitas vezes oferecem prémios que negociaram com os produtores ou representantes das marcas em troca de publicidade. Porque razão nos grandes sorteios, por exemplo o Euromilhões, lotarias, etc...exigem a presença da respetiva autoridade e estas correm como se de rifas de um bazar para arranjar dinheiro para uma qualquer igreja, se tratasse....

Enfim num negócio em que supostamente muitos ganham, a começar pelo estado (a parte do IVA que equivale a 0,078 € por cada chamada e que no final do dia representa muito dinheiro), A televisão 0,50 €, a operadora telefónica 0,10 €, também por chamada e um dos telespetadores, supostamente ganha um prémio cujo valor até pode ser num cartão para fazer compras e ainda ou um carro , que muitas vezes é pago em troca de publicidade!!!!

Duarte Caldeira Ferreira