Tributo à floresta

Um verdadeiro tributo à floresta carece, para além de tudo o que já se faz, e bem, de mais informação

08 Mar 2018 / 02:00 H.

Março é o mês tradicionalmente dedicado à floresta, com a mobilização das consciências e alguma actividade prática que passa pela visita, plantação, chamadas de atenção variadas, com mais ou menos tecnologia, mas, quase sempre, em torno de uma mensagem sustentada no valor intrínseco da floresta. No caso da Madeira, acresce ainda a consideração pelo carácter exclusivo, reconhecido pela UNESCO, da floresta Laurissilva da Madeira, primeiro valor natural português a ser classificado como Património Mundial. Não faltam atributos para justificar a mais que merecida atenção que, por estas alturas, é conferida à floresta. É, também, o tempo oportuno de destacar os que vivem a floresta e a defendem todo o ano, por profissão ou por dedicação, completando-se deste modo a liturgia devida. Celebrar a floresta, no nosso caso, inclui uma lista de verificação de presenças, ausências, palavras ditas e não ditas, condecorações merecidas ou menos justificadas. Há também a habitual caça aos culpados, a denúncia repetida, o tempo de antena garantido, a história contada à maneira de cada testemunho e os anúncios de mais uns quantos investimentos, carros patrulha, sementes lançadas à terra, contabilização de hectares queimados e plantados, torres de vigilância erguidas, funcionários contratados e o resto do cardápio usual. Tudo isto é a floresta e mostra bem a complexidade e diversidade do assunto bem como a consequente dificuldade em encontrar uma visão suficientemente simples, clara e mobilizadora, capaz de reverter a aparente contradição entre o valor que em Março a floresta recebe com o que lhe é dado no resto do ano, com as naturais excepções à regra.

A floresta merece ser celebrada. Um verdadeiro tributo à floresta carece, para além de tudo o que já se faz, e bem, de mais informação. Não tanto sobre nomes e curiosidades científicas, mas antes, de números sólidos e verdadeiramente capazes de medir o valor global da floresta. Continua por responder uma pergunta muito simples: quanto vale um metro quadrado de floresta Laurissilva?. A ideia não é naturalmente de a vender em fracções mas, tão simplesmente adicionar ao seu valor intrínseco, o peso da sua contribuição enquanto fornecedora de bens e serviços – segurança, água, energia, paisagem, turismo, empregos – de modo a que a celebração, de qualquer ponto de vista em que se esteja, seja verdadeiramente completa. Um verdadeiro e completo tributo à floresta deveria, por isso, incluir a demonstração numérica do seu valor económico, em complemento ao simbolismo que representa no imaginário de cada madeirense, reforçando a atenção e interesse por este recurso único de que somos guardiões temporários. Em termos comunicacionais seria igualmente uma mais valia acrescentando informação à que habitualmente povoa os noticiários e que, pela repetição, se vai tornando menos apelativa.

António Domingos Abreu
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