Simplificar ou banalizar!

Estão a banalizar coisas muito sérias e muito importantes, sem porventura saberem “ab initio” qual será o resultado final!

17 Mai 2018 / 02:00 H.

Muitas coisas me fazem chamar a atenção, de tal forma que causam alguma preocupação, entre elas, algumas mudanças, nas atitudes, e nas imensas facilidades, ... que nada têm a ver com a evolução tecnológica mundial, nem com o facto de antes de 2030 - ou seja daqui a alguns dias - os computadores passarem a fazer tudo ... tipo, consultas médicas, rastreios de patologias frequentes, diagnósticos, algumas cirurgias, condução de veículos ligeiros e pesados, de aeronaves ... porque não? decisões jurídicas, operações bancárias, ... e mais mil e uma coisas! O que me está de facto a preocupar são essas tais mudanças e facilidades, estarem a ocorrer sem qualquer fundamento técnico-científico ou, sem os requisitos indispensáveis, minimamente esclarecedores. Vou usar como exemplo a recente Lei vetada pelo Sr. P.R. relativa á mudança de género ... sendo que, em resumo, um português, da raça humana, quando atinge os 16 anos de idade, pode decidir livremente qual o género que adopta ... com a permissão única e exclusiva, julgamos que sustentada, dos seus pais, biológicos ou não! E até lá o interessado fez alguma consulta médica? Nem que seja tão sómente, em fazer uma avaliação normal e programada pelo médico de família da sua área de residência ... avaliação da condição física, vacinas, testes de despiste de patologias dos orgãos dos sentidos, tratamentos de doenças eventuais, etc, etc, etc,? Medidas e atitudes que são normais e até obrigatórias na Saúde Pública! E então, o interessado, numa circunstância desta natureza não necessita de ajudas, ... é assim uma coisa tão simples, normal e evidente? É tudo considerado como normal? A A.R. deita cá para fora uma lei, em que um jovem - que pode ser ainda “imberbe” no seu desenvolvimento - tem o direito de escolher o género, sem qualquer apoio, controlo ou esclarecimento? Mas porque não aos 10 ou 12 anos, quando contacta mais em directo com a sua sexualidade? O sentido e opção sexuais são um desejo? Estivemos 2018 anos a menosprezar e inibir este desejo? Ou é um problema que necessita de apoio muito especial, muito para além da simples e legalizada escolha?

Outro exemplo deveras preocupante é a eutanásia! Aqueles casos, ... até digo mais, todos os casos, em que se propõe ou referencia uma decisão em realizar a eutanásia, apresentam uma história individual, uma história clínica também, perfeitamente esclarecedoras, que merecem avaliação técnico-científica, psícológica, social, etc! Também não me passa pela cabeça que sejam aquelas Sras e aqueles Srs da A.R., que depois de estarem a almoçar na “cantina” da Assembleia, ... caviar, camarão, faisão e lagosta, com vinho a condizer, venham decidir uma lei sobre, quem quer viver e quem deseja morrer! Estarão eles a partir do facto, garantido e consumado, de que as pessoas se encontram bem informadas - recorrendo talvez ao google, á net, ao facebook, afinal recorrendo ao telemóvel - para obterem decisões sobre a sua “linha” de vida ou a “linha” para o dia da morte! O que estão a querer fazer? Estão a querer simplificar? Acham possível simplificar decisões desta natureza e com esta responsabilidade?

Simplificar não é nada disto ou não é nada daquilo que estão a fazer! Estão sim a banalizar coisas muito sérias e muito importantes, sem porventura saberem “ab initio” qual será o resultado final!

Outras coisas também importantes deviam estar a tentar resolver - mas, desta vez após umas refeições simples, com saladas frescas, massas ou quiches, para não ficarem muito empanturrados e poderem trabalhar sem problemas intestinais - e decidirem assuntos prementes nacionais, como o diagnóstico dos ventos nos aeroportos portugueses - muito em especial na Ilha da Madeira - decidirem sobre o apoio para um transporte marítimo entre o território continental e as ilhas - afinal, um simples e natural acesso marítimo dentro do território português - tratar do apoio e do futuro dos idosos - que já são quase 50% - que vão sempre aumentar e necessitar de tratamentos, medicação permanente, apoio domiciliário ou em Lares de III Idade. Também têm de fiscalizar - mas não só fiscalizar nos impostos - fiscalizar a banca, os seguros, fiscalizar e investigar os acontecimentos nas grandes catástrofes - incêndios incluídos - fiscalizar as empresas, públicas e privadas, nos exames sistemáticos em áreas da segurança no trabalho para os seus funcionários. Afinal são todos eles, trabalhadores, quem realmente trabalha e produz, quem paga impostos e quem fabrica a riqueza de um país, e, a sua saúde, é no mínimo, fundamental!

Fizeram uma lei - diga-se, muito “sui generis” - para permitir que os animais entrem em zonas de restauração, ... mas ninguém fiscaliza a sanidade desses animais, ninguém sabe por exemplo, se têm as vacinas em dia! Porque ninguém controla nada! Há muito que não controlam, o consumo do álcool e do tabaco entre os jovens e não controlam os esquemas vacinais das pessoas, nem agora o fazem com os animais! E depois, quando acontece um surto infeccioso ficam todos preocupados ... com a legionella pneumophila - como se aquela triste bactéria fosse a nossa bomba atómica ambulante! As infecções existem, propagam-se fácilmente e podemos evitá-las ou fazê-las diminuir com actos muito simples de prevenção - praticados por todos, sem excepção. Mas que na realidade, não se praticam suficientemente, porque não são fiscalizados. E não é com decisões histéricas dos partidos políticos, que se juntam para aprovar leis onde não se mostra qualquer competência e eficácia das mesmas á nossa população. A política tem de fazer o que lhe compete para os dez milhões de portugueses, mas infelizmente, andam a fazer “show-off” para algumas minorias!

Por tudo isso, consideramos que podemos e devemos simplificar, sem dúvida alguma ... mas nunca, quando aquilo que estamos a fazer significa afinal, banalizar!

P.S. Ao que percebo, não houve ainda a extinção mundial, completa, dos dinossauros ... e existem alguns deles ainda vivos e a pernoitar em Portugal. Para vê-los ou ouvi-los, basta pesquizar em: menu OK, gravações OK, automáticas OK e depois é só ver essas caras mais conhecidas: Armando ..., António ..., Henrique ..., José ..., Manuel ..., e Z qualquer coisa!

José Manuel Morna Ramos
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