Quando é que já vi isto?

Para encher estas novas camas vão ser necessários mais uns 11 aviões por dia, pelos meus muito questionáveis cálculos

12 Set 2017 / 02:00 H.

O outro dia, num blogue daqueles muito lido e considerado, um senhor perorava em relação aos invejosos do novo grande hoteleiro aqui do burgo, porque críticos em relação à dimensão de um dos seus investimentos.

Em face do magnânimo e magnífico investimento (não há como poupar caracteres para adjectivar estes actos, certo senhor escriba?), que irá criar postos de trabalho, revitalizar o sector da construção, dinamizar uma parte morta da cidade, oferecer novos espaços comerciais e exponenciar a qualidade da oferta hoteleira, só mesmo por um qualquer maléfico sentimento se poderia criticar o que este investidor anda a fazer.

Curiosamente, no citado artigo, não havia nenhuma referência ao que deve ser sempre propósito de qualquer empresa, grande ou pequena: - ganhar dinheiro. Pormenores...

Neste caso, posso com toda a sinceridade dizer que como infelizmente não acredito no racional económico daquele investimento, inveja não será o mal de que padeço. Aliás, não invejo nunca investidores, antes admiro a sua coragem, mesmo podendo não concordar com as apostas feitas!

Permito-me, por isso, expressar preocupações, sendo que algumas delas são certezas, a primeira das quais já aqui fica: - 2019 vai ser a repetição do que se passou no ano 2000 e os 10 anos seguintes vão ser, também eles, iguais à primeira década deste século.

Mais digo: - a tão propalada criação de emprego é uma enorme falácia, porque nem actualmente se temos mão-de-obra qualificada em certas áreas, quanto mais depois desta nova vaga de camas novas que aí vem. Vamos o quê, voltar a importar? Ou converter trolhas em cozinheiros?

Não percebo também como é que aqueles que ao longo destes anos têm defendido que o principal problema turístico da Região reside na falta de transporte aéreo andam calados.

Para encher estas novas camas vão ser necessários mais uns 11 aviões por dia, pelos meus muito questionáveis cálculos. Estou a contar, bem entendido, com todos os projectos efectivamente em curso; faltam os que estão por confirmar...

Onde estão esses aviões e de que mercados virão? Quais as novas operações potenciadas por estes tão excelentes e atractivos investimentos? Que outros nichos estão a ser trabalhados?

Não acredito que não haja nada e certamente que as novidades vão surgir brevemente. Em catadupa. Mesmo!

André Barreto

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