Prioridades

14 Abr 2018 / 02:00 H.

Às vezes sinto que se gere a coisa pública da mesma forma que eu o faço em relação a estes parcos caracteres, o que é uma visão absolutamente aterradora até porque nunca cumpri a limitação imposta. Com uma diferença operacional: - eu não mando os textos para o facebook a medir reacções antes de os publicar...

Numa altura em que devíamos estar todos (e reforço o todos!) concentrados em tentar resolver problemas absolutamente determinantes da nossa Região enquanto destino turístico, resolve-se criar um outro foco de discussão, completamente desnecessário, desadequado e despropositado que, temo, só nos vai desviar dos temas importantes a tratar.

Falo, como já terá percebido, caro solitário leitor, da taxa turística. Se não, vejamos:

- Pela bacia mediterrânica assiste-se ao normalizar da situação, com acréscimos significativos de fluxos turísticos e ao regresso das operações ao nível que existiam antes dos problemas políticos que por ali se geraram;

- Nos nossos dois principais mercados, faliram grandes operadores aéreos com enorme importância no transporte de viajantes para a Madeira, sem que dependa directamente de nós a respectiva solução mas podendo nós trabalhar para sermos parte dela;

- O plano estratégico, que nas actuais circunstâncias seria relevante ter implementado, continua fechado numa qualquer gaveta, junto com o reforço da dotação orçamental para promoção de que tanto precisamos;

- O aeroporto é, hoje, uma enorme condicionante e um factor dissuasor para todos quantos consideram a nossa terra como destino final dos seus clientes. Urge resolver este problema, seja lá de que maneira for e sem mais grupos de trabalho!

- O princípio da continuidade territorial ou o princípio da não discriminação, inscritos na Constituição como obrigações do Estado são irrelevantes em comparação com a possibilidade de ser ir buscar dinheiro para reabilitar um matadouro qualquer;

- E a Tap? E a Easyjet? E a terceira companhia? E os preços do Funchal-Lisboa?

O que acho verdadeiramente intrigante nisto tudo é que nem se sabe para que se quer cobrar a taxa, depois de “chumbada” a hipótese já referida. A co-gestão resolverá isso!

Estão todas trocadas, as prioridades. Mas o Facebook deixa pelo que nada mais interessa...

André Barreto

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