Preocupação, horror e estupefacção

13 Nov 2017 / 02:00 H.

Não era suposto ir por aqui até porque já tinha pensado no tema a abordar mas como também esse ia ser um exercício de crítica ganhou o que, neste preciso momento, mais apoquenta esta pobre e desassossegada alma.

Estou preocupado, horrorizado e estupefacto com o que se passa no percurso pedestre mais turístico da nossa Ilha.

Preocupado porque já não vejo como dar a volta à situação sem contarmos com os préstimos de alguma organização com instintos bélicos que dê cabo, deitando abaixo, o completo desastre que é neste momento a Avenida do Infante e a Estrada Monumental.

Ele há de tudo: - construção a lembrar a Praia do Inglês em Canárias, nalguns sítios para pior; cimento a tapar as vistas de forma completamente inexplicável (o trecho entre o Four Views e o Alto Lido é o melhor exemplo do que falo); vendedores de rua a abordar até a sombra das pessoas que passam; letreiros luminosos de um mau gosto atroz e sem qualquer linha orientadora; gente, gente e mais gente, à espera da mais gente que as novas construções autorizadas para estas zonas congestionadas vão despejar; esplanadas a ocupar selvaticamente os passeios pedestres, com as suas cadeiras da Coral e guarda-sóis da Super Bock (para não chatear nenhum dos fornecedores); obras por detrás de tapumes mal amanhados que perduram há anos sem qualquer preocupação com o incómodo de quem por ali circula; hortas urbanas a substituir o que outrora eram socalcos de bananeiras.

Permitam-me a nota, aqui no meio e a despropósito, para confessar que este terá sido provavelmente o mais longo parágrafo que já escrevi, o que justifica o horror. É que tudo isto se foi passando nas nossas barbas e está cada vez pior apesar de alguns, poucos, alertas que algumas, poucas, pessoas foram fazendo ao longo pelo menos da última década.

Nem mesmo intervenções felizes (destaco, por uma questão de gosto pessoal, o Hotel Girassol mas existem outras, assim como não intervenções que deviam ser devidamente valorizadas) conseguem apagar a necessidade que senti de gastar tanto caracter de seguida.

A estupefacção advém do comodismo com que todos aceitamos o que parece ser uma fatalidade ou da tentação de, em vez de procurarmos soluções, perdermos tempo a discutir eventuais culpados. Mas os culpados somos todos nós, por erro ou omissão!

A julgar pelo que oiço, parecemos todos genuinamente surpreendidos pelo resultado que o acumular do que deixámos isoladamente fazer nos trouxe mas... E agora?

André Barreto

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