Porto Santo, quem o viu e quem o vê

resultados demonstram que quando existe determinação

13 Jan 2018 / 02:00 H.

As características do Porto Santo, quanto à dimensão económica e social e à dupla insularidade, permitiram que a austeridade imposta pelo Plano de Ajustamento Económico e Financeiro fosse ali sentida de forma drástica, afetando todos os seus habitantes e a atividade empresarial daquela pequena e maravilhosa Ilha.

Sendo por demais evidente a necessidade de uma intervenção concertada e assertiva, visando a dinamização da Ilha e a rápida melhoria das condições de vida de todos os habitantes, foi assumido, pelo Governo Regional um conjunto de intervenções transversais, da responsabilidade de várias Secretarias e sob a tutela da Presidência.

A aposta foi ganha e os resultados demonstram que quando existe determinação e empenho, tudo acontece ao ritmo da intensidade com que se trabalha o respetivo projeto.

Das muitas concretizações, saliento algumas que marcaram a diferença, acima de tudo, pelo impacto gerado.

A criação e implementação de um subsídio de mobilidade à deslocação dos residentes na Ilha da Madeira à Ilha do Porto Santo permitiu um incremento significativo dos passageiros transportados, superior a 23%, entre o ano de 2015 e setembro de 2017, gerando o reembolso de 25 euros de apoio a cada uma das mais de 40 mil pessoas que se enquadraram nesta medida (cerca de um milhão de euros). Os meses fora do período de verão passaram a registar uma significativa dinâmica, sentida no comércio e no consumo local e, ainda, no investimento dos particulares.

A atividade dos cruzeiros mereceu redobrada atenção, sabendo-se do efeito direto da presença de um navio, numa ilha que, em algumas situações, apresenta uma população equivalente ao número de passageiros que aquele aporta num só momento. Para 2018 foram confirmadas 12 escalas, permitindo, simultaneamente, o reforço do esbatimento do efeito da sazonalidade que ainda caracteriza aquele pequeno território.

O tráfego comercial no respetivo aeroporto cresceu de forma contínua, tendo-se registado evoluções no movimento de aeronaves, de cerca de 8% em 2016, face a 2015, acrescidos de mais de 5%, até setembro de 2017, face a 2016, e de mais de 27% no movimento de passageiros, de 2016 face a 2015, um registo que foi sustentado com um crescimento de mais 10%, até setembro de 2017.

A introdução de novas companhias aéreas na operação do Porto Santo foi conseguida, de forma continuada, com duas companhias em 2015, mais duas em 2016 e outras quatro em 2017.

A conhecida operação turística com a Dinamarca permitiu que mais de 9.000 dinamarqueses visitassem a Ilha entre janeiro de 2016 e março de 2017, dinamizando a realidade local, numa época, tradicionalmente baixa, induzindo movimento na restauração, nas infraestruturas desportivas, nomeadamente, no Campo de Golfe que registou sucessivos recordes de utilização, atingindo, em alguns momentos, a utilização máxima da sua capacidade.

O setor do turismo deixou um contributo definitivo e expressou, muito bem, o resultado da aposta assumida para o Porto Santo. O número de hóspedes variou, em 2016, mais 28,3%, depois de um aumento de 8,8% de 2015 face a 2014, tendo fechado o ano de 2016 com 95.894 pessoas.

As dormidas cresceram mais de 25%, em 2016, depois de um aumento de 9,7% de 2015 face a 2014. O ano de 2016 fechou com 467.559 dormidas.

O número dos estabelecimentos aumentou em 9% em 2016 (totalizando 12), depois de um incremento de 10% de 2015 face a 2014.

O número de camas correspondeu com mais 15% em 2016, depois de um aumento de 7,9% de 2015 face a 2014. No final de 2016, a oferta local era composta por 2.412 camas.

A taxa de ocupação evoluiu de 47%, em 2014, para 49,1% em 2015 e para 53,2% em 2016, ou seja, mais seis pontos percentuais do que no primeiro ano aqui em referência.

Os Proveitos Totais evoluíram mais 24,5% em 2016, depois de um aumento de 20,1% de 2015 face a 2014. O ano de 2016 fechou com um total superior a 25 milhões de euros.

O RevPar (Rendimento por quarto disponível) cresceu, em 2016, 11,7%, depois de um aumento de 18,2%, de 2015 face a 2014. O ano de 2016 encerrou com um novo recorde de 39,82 euros.

O ano de 2017 consolidou a tendência, tendo até agosto, crescimentos de 9,2% nas dormidas, mais três estabelecimentos em funcionamento, uma taxa de ocupação acumulada de 57,6% (superior em 4,4 pontos percentuais face a 2016 e mais de 10 pontos percentuais face ao ano de 2014), os proveitos totais acumularam mais de 21 milhões de euros (em apenas oito meses), enquanto o RevPar atingiu os 48,26 euros (correspondendo a mais 8,44 euros face a dezembro de 2016), a estada média atingiu os 4,79 dias, em termos acumulados, enquanto o ADR (receita média por quarto) foi de 84,71 euros, acumulado ao mês, representado mais 12,5 euros face a dezembro de 2016.

O estímulo à atividade empresarial foi concretizado de várias formas, envolvendo, nomeadamente, a criação de condições específicas – através de majorações – nos sistemas de incentivo ao investimento e ao funcionamento e um enquadramento único no novo Código Fiscal do Investimento.

Os apoios concretizados envolveram 41 projetos aprovados pelo Instituto de Desenvolvimento Empresarial da Madeira, representando um subsídio de um valor superior a um milhão e quinhentos mil euros, permitindo a manutenção de mais de quatrocentos postos de trabalho e a criação de uma dezena de novos empregos.

A oferta cultural da Ilha do Porto Santo foi reforçada com a instalação do Núcleo Brum do Canto e com o aumento significativo do investimento no Festival Colombo que respondeu com incrementos de procura como nunca verificados.

Perspetivando o desenvolvimento continuado no tempo, foi concebido o projeto “Porto Santo Sustentável – Smart Fossil Free Island”, conciliando as diversas dimensões: económica, ambiental e social, contando, desde já, com o respetivo documento orientador e com vários materiais de divulgação, tendo sido apresentado publicamente na presença de Sua Excelência o Presidente da República, a quando da sua visita à Ilha.

Neste âmbito e na vertente energética, o avanço na sua concretização envolve diferentes iniciativas que somam cerca de 6 milhões de euros de investimento, lideradas pelo Grupo da Empresa de Eletricidade da Madeira, que consideram a monitorização e o telecomando (smart grid - sensorização), a instalação de uma Smart Metering (contagem inteligente), a intervenção na rede de telecomunicações e a criação de uma AMI (Advanced Metering Infrastructure). Complementarmente, o investimento estende-se à Gestão inteligente da rede de distribuição (ADMS - Advanced Demand Managing System), à mobilidade elétrica, incluindo o carregamento inteligente (Smart Charge), e as vertentes V2G (Vehicle to Grid) e V2H (Vehicle to Home), ao mesmo tempo que se contempla a requalificação e o sistema de gestão para melhoria da eficiência da iluminação pública, apoiada na integração de novos sistemas informáticos.

Tendo tido a oportunidade de estar ao serviço do Porto Santo e de, com a sua população, procurar construir futuro, expresso o meu profundo agradecimento a todos os trabalhadores, empresários, investidores, políticos e instituições locais que se associaram à transformação da Ilha, comungando uma visão estruturada, muito para além de um Porto Santo só para férias.

Por imperativo de reconhecimento, registo a atitude sempre pronta e disponível que encontrei nas pessoas do Senhor Idalino Vasconcelos, atual Presidente da Câmara Municipal e do Dr. Jocelino Velosa a quem se deve muito daquilo que no Porto Santo se concretizou a bem de toda a Região Autónoma da Madeira.

Eduardo Jesus

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