Os portugueses da Madeira

A geringonça faz dos madeirenses um permanente arremesso político

13 Mar 2018 / 02:00 H.

O enquadramento dos arquipélagos portugueses nunca foi bem compreendido pelo território continental.

Não é um problema novo nem parece haver consciência para mudar a forma como a República encara as suas Regiões Autónomas.

Sem recuar demasiado na história, basta relembrar o que significou a Madeira para o Estado Novo e o que representou Canárias para a Península. Posicionamentos diversos que permitiram futuros diferentes e com evidência para a consequência da crónica miopia alojada na mentalidade portuguesa da metrópole.

Hoje, mais do que nunca, é gritante a dificuldade da portugalidade neste espaço atlântico.

A geringonça, sem qualquer sentido de Estado, pese embora governar Portugal, mesmo sem ter ganho eleições, faz dos madeirenses um permanente arremesso político, procurando vantagem na divisão e ignorando o sentido primeiro da política que é governar atendendo às necessidades da população.

Esta negação é visível em tudo o que diz respeito ao relacionamento destes territórios.

A República ignora a Madeira e os madeirenses. Usa-os a seu belo prazer e menospreza os portugueses que vivendo aqui, garantem presença do país no Atlântico, permitem a dimensão nacional que o afirma na Europa e que reserva, para Portugal, um dos maiores espaços marítimos do mundo.

Brincar com os madeirenses, ignorando todo o esforço concretizado na recuperação das contas públicas, ao invés do percurso nacional; reter verbas que constituem dívidas da República à Região, sabendo da falta que nos fazem; comprometer-se com zero na construção do novo hospital, quando se assume a cem por cento outros no espaço nacional; desrespeitar a Constituição Portuguesa no preceito da continuidade territorial, recusando a assunção dos custos dai decorrentes e deixando a Madeira à sua mercê; ou desobedecer às leis, nomeadamente, naquilo que respeita à revisão do subsídio de mobilidade, em boa hora criado, evitando que as alterações desejadas permitam a melhoria da qualidade de vida dos madeirenses, são alguns dos exemplos que demonstram bem o que quer a geringonça relativamente à Região Autónoma da Madeira.

Aquilo que os madeirenses assistem é a negação da responsabilidade de um governo que está mais interessado no poder pelo poder, do que nos assuntos que dizem respeito à população aqui residente.

Um Primeiro-ministro que se desloca à Madeira, em funções de Estado, e que se demite das mesmas para dar prioridade a encontros motivados por arranjos político-partidários é um mau Primeiro-ministro para os madeirenses. É, também, um mau Primeiro-ministro quando convida o povo português a ficar contra os irmãos madeirenses, levantando suspeitas, desqualificando as contas da Região, principalmente, depois do esforço que todos os madeirenses fizeram para as recuperar. E é, também, um mau Primeiro-ministro quando elege as eleições de 2019 como o único assunto para colocar a Madeira no mapa nacional.

Tão triste quanto o oportunismo que testemunhamos é o encontrarmos, aqui, aqueles se prestam servir os que não nos defendem, entregando-se na lógica do poder pelo poder, do saciar de uma ambição desmedida, cega e incondicional, querendo fazer deste território mais uma das províncias do Portugal da negação.

Não estamos bem servidos, não temos, novamente, o país connosco e, tudo isto, demonstra bem de que é capaz a motivação política de uma esquerda que desinteressada daquilo que nos importa, apenas quer o poder que nunca teve neste território que tanto tem dado e feito por Portugal.

Eduardo Jesus

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