O país das maravilhas

16 Nov 2016 / 02:00 H.

Num mundo perfeito, todas as pessoas são honestas, boas e competentes. Num mundo perfeito, não há fome, e todos são felizes. Num mundo perfeito, as pessoas são pagas pelo trabalho que realizam, pressupõe-se (o que é sempre perigoso...), de forma justa.

Num mundo perfeito, os governantes não fazem jeitos para favorecer uns em detrimento de outros. Delineiam objectivos, desenham estratégias, e o que dizem bate certo com o que fazem.

Num mundo que não é perfeito – e isto não é opinião, é facto – todo um conjunto de profissionais é sujeito a pressões e chantagens porque falta vontade às entidades responsáveis pela regulação e controlo do mercado de fazer exactamente isso – regular e controlar.

Com um discurso em que o apelo à qualidade e à qualificação é uma constante, tem faltado ao Governo Regional, e nomeadamente ao Turismo, vontade de criar legislação que favoreça essa qualificação e qualidade, e que permita “muscular” a lei em termos de limitar o exercício da profissão de guia intérprete a quem está realmente habilitado para isso.

Os profissionais de informação, fartos de ser ultrapassados por todos os lados, procuram formas de se impor no mercado, e dada a impunidade e falta de rigor actuais, será quase inevitável um extremar de posições que não interessa a ninguém.

Cabe à tutela definir o caminho a seguir. Ou o caos a que se vem assistindo, e que justifica todas as acções por parte de quem dedicou anos da sua vida a aprender para fazer bem, ou uma regulamentação que proteja estes profissionais, mas que acima de tudo proteja o destino das pessoas bem intencionadas que fazem o que podem mas a quem não se pode pedir muito... porque nunca tiveram formação na área.

A (re)publicação das regras do sector é importante e neste momento peca acima de tudo por ser tardia. É urgente, e tem de ter em conta os interesses da Madeira como destino. E a opção é clara: a tutela pode escolher entre o barato e o bom. Tentar satisfazer gregos e troianos é impossível, e já demora há demasiado tempo.

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Roberto Loja

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