O mensageiro

O presidente da Câmara do Funchal não deveria ter-se exposto a esta paródia

16 Abr 2018 / 02:00 H.

Parece que a função daquele que foi anunciado como o candidato a liderar a lista do partido socialista nas eleições regionais de 2019, será a de um mero mensageiro do governo da República, em particular, do primeiro ministro António Costa!

Alguém que se presta em ir a Lisboa, na condição de independente, integrado numa comitiva socialista, para ser informado de algo que não é novo, faz de Paulo Cafôfo um mero mensageiro dos senhores socialistas que governam o país neste momento!

O presidente da Câmara do Funchal não deveria ter-se exposto a esta paródia, mesmo que o derby Benfica-Porto estivesse incluído no pacote, pois com esta ida a Lisboa, apenas para receber, em primeira mão, uma informação que toda a gente iria conhecer nesse mesmo dia, já que o PEC foi tornado público nessa sexta feira 13 de Abril, vai fragiliza-lo daqui para a frente!

A partir de agora, qualquer contencioso, mesmo que pequeno ou até artificial, entre a Região e a República, vai exigir de Paulo Cafôfo uma tomada de posição, mais uns murros na mesa e quiçá, novas idas a Lisboa para servir de mensageiro de António Costa!

O que teria sido politicamente oportuno, era que esse “murro na mesa” tivesse sido dado aqui na Madeira, insurgindo-se contra o facto de centenas de madeirenses estarem a ser prejudicados e massacrados com dias de espera, em condições inimagináveis, devido aos cancelamentos da TAP e da Easyjet; deveria mostrar, cá na Madeira, a sua indignação sobre o facto do Estado ter ainda um poder de decisão na TAP, nomeando administradores, entre eles o dirigente socialista regional Bernardo Trindade, todos da sua confiança, por via dos 51% do capital que detém na companhia aérea; exigia que o seu amigo António Costa dissesse publicamente que o subsídio social de mobilidade não prejudicará os madeirenses no futuro; pedia que, de uma forma clara e efectiva, o ministro das finanças dissesse quando e quanto é que vai comparticipar na construção do hospital! Ou ainda, perguntava se o ministro Centeno está à espera do orçamento de 2019 para baixar os juros do empréstimo que a Madeira contraiu? Mas nada disso se verificou!

A ida a Lisboa foi um folhetim! Nada trouxe efectivamente de novo! Constar no programa de estabilidade e crescimento o hospital da Madeira é uma mão cheia de nada em termos concretos!

Alguém que se perfila para se candidatar a uma eleições regionais, aceitar ser um mero mensageiro de Lisboa, é hipotecar a Autonomia, é deixar que nos pisem e humilhem desde São Bento!

Deixo um aconselho a Paulo Cafôfo: na próxima circunstância, vão surgir certamente outras, não se limite a ir ao beija-mão para receber uma mensagem; defenda os nossos interesses desde a Madeira, o grito deve ser dado desde cá para ser ouvido lá!

Antonio Lopes da Fonseca 18
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