O jarro de vidro da minha avó

11 Fev 2018 / 02:00 H.

Li em tempos um livro em que, a partir de certo dia, a certa hora, as pessoas deixaram de morrer. Ninguém! Nem uma!

E rapidamente, uma situação aparentemente soberba, idílica, magnífica ... tornou-se caótica ... os hospitais a abarrotar de doentes, os lares incapazes de acolher mais idosos ... um país inteiro ... meses, anos ... um pesadelo!

Fez-me pensar como seria, se a partir de certo dia, a certa hora, deixássemos de produzir lixo ... zero ... nada de fraldas, de embalagens de champô, de sabão para a louça, de sabão para a máquina de lavar a roupa, de lavar os vidros, e dos outros 3000 da especialidade. Nada de copos de café, copos de iogurte e nada de cotonetes ... sim ... sem os cotonetes, como seria?! Parece impensável!

Contudo, os meus avós, que se fossem vivos teriam mais de cem anos, viveram sem precisar das 3008 coisas imprescindíveis que enumerei anteriormente.

E não só os meus avós! Porque os vizinhos e as vizinhas, as de longe e as mais próximas, também não precisaram!

E isto fê-los merecer ter direito a quatro estações por ano! Estações estas, que se repetiam ano após ano.

Além disso, tiveram mares ricos, e terrenos saudáveis!

Deveria ser muito mais fácil no tempo dos meus avós lidar com as questões do ambiente. Não seria certamente necessário, para quem representava os interesses do povo, ter que tomar decisões tão difíceis!

Como é que temos espaço para tanto lixo? E o plástico? Porque é que tantas pessoas utilizam 365 garrafas de plástico por ano?

A minha avó tinha um jarro de vidro! Um jarro! E a água não era controlada e analisada, como a de hoje! Era simplesmente água!

E o sumo?! Uma delícia! De laranjas do quintal, feito num espremedor de vidro!

Sofia Vieira

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