O Ferry parece que sempre vem, mas às “mijinhas”...

09 Jan 2018 / 02:00 H.

A mim, cidadão português que constitucionalmente tem deveres e direitos em qualquer parte do território nacional, custa-me muito a perceber porque é que essa ligação maritíma foi interrompida e porque é que tarda em regressar à Madeira, durante todo o ano e a preços comportáveis. Transportava passageiros, viaturas e até alguma carga, sendo inegável que constituia uma enorme vantagem para os residentes na Região Autónoma da Madeira. Surgem argumentos que não é rentável, razão pela qual ninguém lhe pega. O armador canarino que explorou a linha por tímidos anos, ao que consta, foi se embora porque não lhe deram condições para continuar e até parece que era “persona non grata” no porto do Funchal. Admitindo que se trata de uma actividade que não consegue gerar volume de facturação que sustente o negócio, tornando-o inviável para uma exploração por privados, as perguntas que me ocorrem são: Mas o governo regional colocou a concurso a exploração da linha marítima Madeira-Continente com condições atractivas para o sector privado ou não? E se ninguém lhe pega, porque espera o governo regional para montar a operação através de meios públicos e durante todo o ano? O Metropolitano de Lisboa ou o do Porto ou a Carris ou a CP são viáveis? Pelo que sei são sorvedouros de dinheiro público à décadas e no entanto a sua laboração subsiste. Só uma razão justificará a sua continuidade, ou seja, a necessidade. Pois cá na terra, também precisamos, sendo imperioso o regresso da operação ferry no menor espaço de tempo. E exigências a Lisboa não se fazem com má-criação e/ou arrogância, mas com espírito construtivo e trabalho demonstrativo que fundamente os dossiers. A questão de fundo e que está até para lá do compromisso eleitoral assumido pelo PSD-Madeira e a Região, é o alicerce que justifica a existência do Estado, neste caso do Governo Regional, ou seja, existe para servir a comunidade. Por outro lado, prometer em campanha eleitoral mundos e fundos e depois ficar pela metade, ou melhor, por um quarto, como parece ser o caso do serviço do Ferry (operar apenas por 3 meses, atribuindo até o mesmo subsídio de 3 milhões de euros) parece uma trapalhada digna de uma comédia. Se este governo regional que está em funções assumiu perante a população este serviço e tal representa não só uma aspiração como uma necessidade da população, a sua obrigação é encarregar-se de executar o prometido e durante os doze meses do ano. Se necessário e porque é efectivamente necessário, adquira-se o ferry e seja um serviço prestado à população com o dinheiro do Governo Regional, isto é, com os nossos recursos públicos. Ainda quanto às exigências a Lisboa e a pouca sensibilidade desta para as questões regionais, seria bom começar a mobilizar a população madeirense para o exercício da cidadania, sendo esse também o papel de quem governa, pois se a região se mobilizasse em uníssono, reivindincando apoio ao Estado, talvez a coisa fosse diferente. Mas na Madeira a cidadania tarda em chegar, por inoperância voluntária de quem governa e comodismo de quem a devia exercer. Depois, é concerteza perigosa para quem governa, mas de essencial utilização para quem é governado, especialmente se estivermos a falar de Democracia.

Fernando Rodrigues