O estranho caso de esquizofrenia da Groundforce

09 Mar 2018 / 02:00 H.

Alterações no comportamento, indiferença afetiva e dificuldades para se relacionar com pessoas, são alguns dos sintomas da esquizofrenia. Entre as várias, há a catatónica. O paciente com esquizofrenia catatónica mostra um quadro de apatia. Pode ficar na mesma posição por horas, causando também a redução da atividade motora. E pronto, está encontrada na psiquiatria a resposta para a apatia de sábado no Aeroporto da Madeira. Que já acontecera na quinta-feira, dia 1, quando a primeira passageira da fila demorou 40 minutos para ser atendida e um outro passageiro que após três horas fugiu dali, remarcou a passagem a caminho de casa, dentro de um táxi, através do seu telemóvel.

A esquizofrenia atacou dentro e fora do balcão da empresa de handling que afirma orgulhosamente servir mais de 150 companhias. O meu palpite é que todas passaram pelo aeroporto nesse dia, tal a azáfama. Azáfama em ponto morto, a tal redução da atividade motora. Pessoas sete horas de pé tiveram direito a um saquinho com uma sandes de panado e uma garrafa de água, depois de provarem à empresa de handling que conseguiam permanecer imóveis por todo esse tempo. Muito bem, premiadas pelo esforço. Algumas delas já tinham feito o ensaio geral no dia 1, quando o seu voo ficou retido pela primeira vez. Já agora, a deputada Mariana Mortágua também foi afetada duas vezes (dia 1 e dia 3) e não se lhe ouviu um pio até agora. Publicamente, claro, porque no Aeroporto falou que se fartou do assunto a quem estava perto. Ah, pois, não é por aqui que concorre a eleições. Não se vai cansar com ruídos desnecessários.

Voltemos à empresa que conta com mais de 2.500 colaboradores. Sério? Desses, só três é que trabalham na Madeira? E a perceção esquizofrénica de si própria vai mais longe, na sua divagação no divã do psicanalista. Diz que os seus colaboradores são “altamente qualificados e motivados”. As centenas de desafortunados que passaram pelo balcão conferem isso mesmo, sobretudo quando uma delas saía para almoçar ou lanchar. Já agora, o que foi feito das refeições de catering que estavam prontas para embarcar nos voos que sairiam da Madeira?

E para os críticos que dizem que quando fecham aeroportos na Europa só se fala do nosso, em Gatwick, o segundo mais movimentado de Inglaterra e 22º do mundo também fecha, mas manda para os hotéis os passageiros, imagine-se, através de um email. Uma coisa complicadíssima que cai no telemóvel ou computador das pessoas retidas meia hora depois do aeroporto fechar ou o avião falhar. Porque não vão jornalistas de “magote” para o aeroporto londrino? Porque lá não se passa nada... Simplesmente isso! Chama-se esperteza. Coisa que não se trata na psiquiatria.

Cristina Costa e Silva