O caminho para o que virá depois

é sempre mais fácil o retomar do caminho se houver entendimento acerca do que há

06 Out 2017 / 02:00 H.

Os processos de desenvolvimento, independentemente da escala, têm em comum um conjunto de características muitas vezes ignoradas, pela complexidade de cada uma, pela incapacidade de entendimento, ignorância e, em extremo, cegueira. O que pode variar é a percepção e a intenção com que se aborda a realidade, essa verdade inexorável, e isso acontece mais vezes do que se acredita, assim o diz a história. Num processo de desenvolvimento pessoal, no domínio formativo, é fácil identificar e assumir a premissa de aumentar e reforçar capacidades e, com isso, melhorar a prestação, situação ou resultados, tal como em dinâmicas colectivas associadas a actividade empresarial ou desportiva. As motivações e objectivos, a proximidade e participação das partes interessadas facilita, em muito, o conhecimento, a compreensão, a adesão ou a mobilização, por muito difícil que seja o caminho a fazer. Seja como for, e mesmo na derrota ou insucesso, é sempre mais fácil a reanimação e o retomar do caminho para o que virá depois se houver clareza e entendimento acerca do que há a fazer. Já no sucesso, as dificuldades maiores são a manutenção do empenho e motivação para se continuar com o mesmo sucesso. Mas, o sucesso ajuda sempre a encontrar o tal caminho para o que lhe sucede.

O desenvolvimento, na esfera social, está associado a princípios e processos muito difusos que nem sempre ajudam a que todos os implicados estejam sintonizados em torno de objectivos comuns. Se tal não bastasse, a incapacidade de perceber uma realidade que se caracteriza por novos factos a uma velocidade estonteante, não permite a resposta nem as antecipações desejadas. Num tempo de aceleração, não se pode entrar num rali todo o terreno de alta competição com um clássico de passeio dominical, por muito glamour e brilhantismo que este possa jorrar.

Se for para falar a sério, fugindo à tentação do imediato, qualquer proposta com vista ao caminho para o que virá depois, necessita de profundo entendimento dos desafios e necessidades desse tempo e dos reais destinatários e precisa de tempo e engenho para se identificar e mobilizar todos quantos poderão dar contributo e empenhar-se, o que não é assim tão difícil, se entendida a proposta naquilo que integra como bem comum. O caminho para o que virá depois depende dessa profunda alteração de posicionamento e de acção. Não o fazer é oferecer oportunidades a que outros o façam por nós ou continuar no caminho que leva a lado nenhum. E precisa considerar que a escolha será sempre a dos que decidem, sabem o que necessitam e reconhecem capacidades para lá chegar.

António Domingos Abreu
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