No primórdio de um novo ano

Que 2018 seja efetivamente um ano de promoção e consolidação do trabalho digno

02 Jan 2018 / 02:00 H.

Na transição de ano invade-nos uma enorme euforia, e uma mistura de sentimentos como a gratidão, a alegria e a esperança que aparecem como um passe de magia, acompanhados pelo ambiente festivo que anunciam a chegada do novo ano. É também este o momento para brindar, abraçar e desejar um ano de felicidade, sucesso e paz para a família, amigos e todos os que nos rodeiam. É essencial no mundo em que vivemos manter a esperança num ano melhor, agilizando vontades para transformar a realidade e concretizar aquilo que realmente desejamos.

Nos últimos anos assistimos na área laboral a mudanças que pensávamos definitivamente superadas, a desvalorização do trabalho, as alterações á organização dos tempos de trabalho e ás condições da sua prestação, representam um retrocesso civilizacional com impactos negativos na sociedade e no equilibro entre a vida individual e familiar do trabalhador.

O trabalho como atividade ao longo do tempo assume um papel central na sociedade e na vida das pessoas, pois ocupa grande parte do quotidiano de cada indivíduo suplantando a mera necessidade económica, para assumir um papel de realização pessoal, dando sentido á vida das pessoas e à sua existência em sociedade.

Com o trabalho conseguimos satisfazer as necessidades humanas, uma vez que o trabalho possibilita através da ação que desenvolvemos, transformar a matéria e a natureza ao aplicar a nossa capacidade inventiva e criadora através da atividade que exercemos.

Materializar condições de trabalho dignas é um dos principais projetos assumidos atualmente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo esta organização para criar condições de trabalho dignas é necessário existir a nível mundial crescimento económico, neste contexto as perspetivas para os próximos anos não são seguras nem animadoras. De acordo com esta organização o crescimento do PIB mundial para 2018 ficará nos 3,6 %, embora seja um valor em constante revisão, as previsões ficam muito longe dos ambicionados 7% de crescimento mundial.

Outro dado relevante é a elevada taxa de desemprego e o seu previsível crescimento a nível mundial, num contexto onde continua a proliferar a precariedade laboral, o desemprego, o dilema dos refugiados e as diferentes situações de pobreza, constituem um dos maiores desafios para todos os governos, quer a nível local, quer a nível mundial, pela instabilidade, insegurança e incerteza que geram nas populações.

Que 2018 seja efetivamente um ano de promoção e consolidação do trabalho digno, entendido como o conjunto de oportunidades para que mulheres e homens possam ter acesso a um trabalho produtivo e em condições de liberdade, igualdade, confiança e dignidade humana.

Juan Carvalho

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