Nada

12 Out 2017 / 02:00 H.

Deve ser, reconheço, da dificuldade em encontrar inspiração o que este mês me proponho partilhar convosco. Com tanto a acontecer e tão interessante, discorrer sobre o que entenderão muito legitimamente como nada será no mínimo estranho mas foi para aqui que os caracteres me levaram, desta vez...

Acho engraçado constatar como, de forma transversal, se instalou na nossa sociedade uma determinada forma de entender o progresso. Estradas, pontes e viadutos; escolas, centros de formação e estádios de futebol; novos hospitais, centros de saúde e casas do povo. É disto que se fala quando o tema é desenvolvimento.

Esta lógica parece afectar-nos sobretudo enquanto eleitores, seja em partidos políticos, clubes desportivos ou associações de vária ordem. Votamos no que mandou fazer a rotunda, em quem prometeu um campo de treinos novo ou no que assegurou a manutenção de um qualquer direito adquirido, por mais estúpido e injusto que este seja.

Isso é que é desenvolvimento, sinal de progresso e prova de vitalidade. E disto parece que não conseguimos sair, nem que seja porque quem aparece com outra lógica é logo trucidado. Porque, cá está, não tem obra, é inimigo da evolução ou, pior ainda, da revolução...

O mesmo se passa em determinadas áreas da Economia, sobretudo naquelas que têm fama de ser mais lucrativas. Veja-se o que está a acontecer em relação à oferta hoteleira, seja ela a dita tradicional, sejam os muito na moda alojamentos locais.

Estamos a progredir nesta área, dizem, porque estamos a construir mais, a licenciar mais, a fazer mais. Será isto mesmo assim? Ou os alertas e a expressão de preocupação em face do que vejo é a visão de alguém que está confortavelmente instalado e procura evitar que nova concorrência floresça?

O tempo, temo, dará resposta a quem duvida das boas intenções destes escritos. E episódios como o sucedido com a companhia aérea Monarch deviam fazer-nos reflectir, porque são sinais importantes desde logo da nossa vulnerabilidade em face de ocorrências que não podemos controlar.

O pior é o que não fazemos com as que podemos, provavelmente porque, cá está, tudo isto não é nada... Por isso também é que talvez esteja na hora de relembrar quão importante é a estratégia, para podermos assegurar a nossa personalidade, identidade e, consequentemente, consistência. E futuro!

André Barreto

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