Na Madeira manda quem?!

21 Mar 2017 / 02:00 H.

As mais recentes polémicas políticas públicas da Região, a do nome do aeroporto e a de uma carta do leitor publicada neste diário, levaram a uma conclusão praticamente unânime: na Madeira mandam os madeirenses.

Sobre isso, nenhuma dúvida: são os madeirenses que elegem os seus Presidentes de Junta de Freguesia, os seus Presidentes de Câmara e o seu Presidente do Governo Regional; e são madeirenses que representam os madeirenses nas Assembleias de Freguesia, nas Assembleias Municipais, na Assembleia Regional, na Assembleia da República e, vejam bem, no Parlamento Europeu também. Onde há um madeirense para defender, há um a representá-lo; onde há um madeirense para eleger, há outro para ser eleito; e onde há um madeirense para ser mandado, há um para mandar.

Chegados aqui, parece-me evidente que a conclusão seguinte também é uma só: onde há um problema dos madeirenses por resolver, a responsabilidade também é dos madeirenses - porque se quando as coisas que fazemos correm bem o mérito é nosso, quando infelizmente não correm também.

São os madeirenses que escolhem, são os madeirenses que mandam. E se na Madeira mandam os madeirenses, como é que se explica que o Governo Regional continue a apontar o Governo da República como o culpado de tudo o que, dois anos depois da eleição de Albuquerque, continua a correr mal? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de termos os voos mais caros do mundo por milha aérea voada é de um Governo de Costa que nada teve a ver com a negociação do modelo de subsídio que nos trouxe até aqui? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de não termos um ferry de ligação ao Continente é do Governo da República? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de não termos um novo Hospital em construção é totalmente do Governo nacional?

Ao contrário do que a máquina laranja apregoa e faz apregoar há 40 anos, os problemas da Madeira não são culpa dos outros - são culpa nossa, que nunca nos importámos em questionar quem escolhemos para mandar e continua a ser culpa nossa porque na hora da verdade continuamos a fazer o mesmo.

O orgulho na terra não pode servir para justificar tudo: se temos uma gare no porto que nunca foi utilizada, a culpa é nossa; se temos uma marina no Lugar de Baixo que nunca foi usada, a culpa é nossa; e se temos um heliporto no Porto Moniz a que nunca deram uso, lamento, mas a culpa também é nossa. Que nos defendamos perante putativas intromissões externas tão energicamente, tudo bem, mas que não nos mobilizemos perante inenarráveis más decisões e mentiras internas com a mesma energia já está mal.

É certo que não é tão fácil mandar Albuquerque para a terra dele como um tipo de Coimbra que escreveu meia dúzia de asneiras entre muitas coisas certas, mas é mais fácil exigir ao primeiro que cumpra mais e ande com conversa da treta a menos. Se na Madeira mandam os madeirenses, os que nos governam têm de fazer mais e falar menos - porque da mesma forma que escolhemos e mandamos, no final também somos nós todos que pagamos.

João Pedro Vieira