Matar o borrego!

nunca serei capaz de dizer aos meus filhos para deixarem de gostar

20 Mai 2017 / 02:00 H.

Se alguém dissesse (ou vaticinasse) a um Português já “crescido” que, em menos de um ano, Portugal iria ser campeão europeu de futebol sénior e ganhar o festival de eurovisão, tal “profeta”, seria, certamente, apelidado de louco pelo seu interlocutor, senão “lapidado”...

De igual forma, se alguém afirmasse a Jorge Nuno Pinto da Costa que, durante o (longo) “consulado” deste, o Benfica iria ser tetracampeão pela primeira vez, estou certo que o “Papa”, mesmo sem necessidade de “consultar” Nossa Senhora de Fátima, nunca acreditaria na concretização de tal milagre...

E se alguém garantisse à Troika e/ou ao Presidente do Eurogrupo, Jeron Dijsselbloen (santinho!!), que o país dos “copos e das gajas”, não só não iria necessitar de mais nenhum “resgate”, como iria pagar parte substancial do empréstimo concedido pelo FMI antecipadamente, a “risota” seria, naturalmente, generalizada...

Finalmente, também me parece evidente que poucos acreditariam que Portugal, ainda para mais gerido por uma “geringonça”, conseguiria voltar a entrar na rota do crescimento económico e da diminuição do défice, bem como tornar-se num dos países mais “trendy” (para visitar, viver e/ou investir) da Europa...

Serve isto para dizer (e demonstrar) que:

1. Não se deve subestimar o “Bicho Tuga” e as suas – muitas – capacidades naturais; e,

2. Os tempos podem estar a mudar.

Em concreto, e pelo andar da carruagem, Portugal arrisca-se a ser campeão do mundo de futebol e/ou a tornar-se uma potência olímpica. O Benfica poderá estar prestes a quebrar a maldição de Bela Guttmann e Jorge Jesus talvez consiga ser campeão no Sporting e “ressuscitar.”

A música e os músicos portugueses estão em vias de conquistar os tops de vendas mundiais, e a arte, a cultura e os artistas nacionais poderão tornar-se referências incontornáveis e alcançar o patamar da “imortalidade”.

Por último, Portugal pode estar no caminho certo para se tornar, finalmente, num país – verdadeiramente – desenvolvido e numa potência económica de referência no (e para o) Século XXI, ditando cartas no sector do turismo, das indústrias tecnológicas, da energia e até dos serviços financeiros.

Em suma, e se quisermos ser ainda mais optimistas, perante esta conjugação de “sinais”, tudo indica que o “Quinto Império” de Portugal (e de Fernando Pessoa) – embora não tão imaterial como este o pensou e escreveu – pode estar em vias de concretização.

Pela minha parte, e dado que, para além de não ter dotes de profeta, não sou demasiado optimista, nem acredito – por muito boas que sejam as “máquinas de propaganda” e as “cartilhas” que nos tentam guiar – que existam razões para o ser, tenho aspirações (e “visões”) bem mais comedidas.

Nomeadamente, bastar-me-ia ter confiança (e segurança) para poder transmitir aos meus filhos que fomos (e somos) capazes de aprender com os nossos erros e que não os iremos repetir no futuro. Para poder dizer-lhe que, com perseverança, dedicação, empenho, competência e imaginação, somos capazes de tudo e de superar todas as adversidades, mesmo as criadas por alguns políticos mais incautos.

Mas note-se que, por muitos receios que possa ter, nunca serei capaz de dizer aos meus filhos para deixarem de gostar de “copos e gajas” e/ou para abdicarem do direito de serem (muito) felizes.

Sempre fomos assim e nunca deixámos de “matar o borrego”...

Gonçalo Maia Camelo
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