Madeirenses tomam antidepressivos perante ameaça da easyJet

09 Nov 2017 / 02:00 H.

Se eu quisesse ir amanhã para Lisboa e voltar no próximo domingo, num voo da easyJet, teria de desembolsar 284 euros. Quando recebesse o reembolso, teria pago 106 euros, porque a empresa que se diz “lowcost” inventou uma taxa administrativa de 20 euros por reserva. Já começa mal. E continua, quando descrimina na factura, se eu pagar com cartão de débito, no site, que paguei a crédito, o que não me permite receber o reembolso antes dos 60 dias. Um erro que a empresa atribui a programação informática. Por isso pago na agência e vem na factura venda a dinheiro e resolve-se o problema. Se eu quiser mandar a mala para o porão apesar de ter medidas para a cabine, pago 5 euros. E depois espero uma hora em Lisboa pela bagagem, porque devido ao seu “grande estatuto de low cost” a empresa fica em fila de espera para o tapete...

Viajo frequentemente na Easyjet porque me “faz espécie” ter de pagar, mesmo em época baixa, mais pelo mesmo percurso. A mesma viagem, feita na TAP, de ida amanhã de manhã e regresso no próximo domingo, custaria 353 euros. Ou seja, custar-me-ia mais à partida, teria de voltar no primeiro voo da manhã para não ultrapassar os 400 euros, mas sei que iria pagar apenas 86 euros pelo bilhete.

Agora vamos a factos: a Tap está disponível para cobrar apenas os 86 euros à cabeça aos passageiros. A easyJet ameaça que vai embora. E eu cheia de medo. Ou os ingleses me explicam de uma vez por todas o que é isso de low cost ou eu volto a viajar na TAP, onde me jogam meia sandes e um bolo para cima do tabuleiro como se eu fosse um cãozinho. Desde que eu tenha de pagar, à partida, os 86 euros pela viagem de ida e volta, até posso ir na TapExpress que andou muito tempo por cá com a bandeira da Portugália e os aviões... voavam.

A easyJet está mesmo muito preocupada com a Madeira. Ao ponto de achar que pode ameaçar sair da linha se o modelo de pagamento for alterado. Já se vê que o interesse está, como sempre, no que o Estado lhes dá. Os madeirenses já nem dormem e andam a correr aos antidepressivos e ansiolíticos só com a miragem de ficar sem aqueles embarques luxuosos no Terminal 2, onde as pessoas se deitam no chão, não têm lugar para comer sentadas e ainda por cima são encarneiradas para embarcar para a Madeira. A mim, como passageira, preocupa-me tanto a forma como a TAP vai negociar com o Governo da República como a neve que cai na Sibéria. Quero saber é se, quando eu quiser viajar para Lisboa ou para o Porto, pago 86 euros pela viagem de ida e volta. Pode ser que assim a Ryanair queira finalmente voar para cá ou a Transavia estenda a sua oferta à capital.

Já agora, boa viagem, easyJet. Vá pela sombra...

Cristina Costa e Silva