Kim Jong-un brinca com mísseis e bombas e Einstein dá saltos no sepulcro

10 Set 2017 / 02:00 H.

Tem pouco tempo que o Discovery Channel da National Geographic, emitiu a série televisiva em 11 episódios, “GENIUS”, baseada no livro de Walter Issacson, “Einstein: A sua Vida e Universo”, com produção de Ron Howard e Brian Grazer. O que me faz trazer aqui este vulto ímpar da humanidade é a sua ligação (ou não) à bomba atómica, tendo ele sido um pacifista esclarecido e declarado. Há quem afirme que mesmo sem o seu (indirecto) contributo, a bomba teria sido fabricada. A própria série mostra-nos que o líder pela equipa do programa alemão de construção da bomba atómica, ao saber que a mesma havia sido lançada pelos EUA, já saberia a fórmula, mas não a entregou ao ministro da guerra do Reich nazista. Neste ponto, na série, fica-se sem perceber claramente a razão ou razões para tal.

Estavamos a 2 de Agosto de 1939, quando Albert Einstein (1879-1955), através de carta que escreve ao então presidente dos Estados Unidos, Frankin Roosevelt (1882-1945), lhe faz o alerta da real possibilidade da alemanha nazi criar uma bomba, configurada a partir de uma cadeia de reações em uma grande massa de urânio (bomba atómica). Roosevelt reune especialistas de várias áreas e estes criam o chamado Projeto Manhattan, o projecto nuclear que viria a produzir as bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945, matando cerca de 140 mil pessoas a primeira e cerca de 75 mil a segunda. Anos mais tarde, surgiu a bomba H (hidrogénio), com poder de destruição dez vezes maior que a primeira bomba atómica.

Inquietante é saber-se que a tecnologia necessária para o fabrico desta bomba, está hoje na posse de uma personagem que seria (é) anedótica, não fosse a gravidade do que temos assistido ultimamente nos relatos da comunicação social de todo o mundo. O homem mantem-se entretido a brincar com mísseis e bombas deste calibre, numa clara provocação, violação e desrespeito afrontoso das resoluções da Organização das Nações Unidas. O intérprete deste filme de terror, dirige despoticamente um país que se chama Coreia do Norte e diverte-se a lançar engenhos explosivos de elevadíssimo poder destrutivo, como nós brincávamos com berlindes ou joeiras de papel. O assunto é muito sério e intolerável. A verdade é que o que define o efeito de qualquer acção, resulta da motivação que lhe está associada. Ora o (in)voluntário e renitente contributo de Einstein para a construção da bomba, não estava de todo ligada a uma má motivação, mas antes ao seu insaciável apetite em descortinar os segredos do universo, pois epistomologicamente falando, a sua mente fervilhava, forçando os limites do conhecimento humano. O arrepiante aqui, é a constatação de como o singular e bem intencionado trabalho de um génio da física e filósofo da ciência, pode nocivamente ser aproveitado por um ditador mimado e oriundo de uma dinastia comunista, que tem o desplante e a arrogância de provocar e colocar em estado de alerta todo o planeta.

Fernando Rodrigues
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