Investigação em artes

21 Mar 2017 / 02:00 H.

Num momento particular em que assumi novas funções, na direção de uma instituição de formação artística, experiencio, de forma reforçada, a necessidade de se continuar a estimular a investigação científica nesta área específica e com um enorme potencial. Em 2013, em artigo de opinião, já apelei a esta mesma necessidade premente. Não foi por puro acaso que se criou, há cerca de 13 anos, uma Divisão de Investigação na Direção Regional de Educação. Mas, para que esta Divisão possa desenvolver a sua missão são necessários investigadores. Infelizmente, e passados estes anos, nunca foi ainda proporcionada a criação de um quadro de investigadores de carreira que pudessem dedicar-se, a tempo inteiro, a esta importantíssima missão de investigar o passado (e já são quase seis séculos após o povoamento da Madeira), preservando-o e divulgando-o junto da comunidade, com especial enfoque nas crianças e nos jovens. Igualmente importante é investigar, avaliar e divulgar projetos que a Madeira vem desenvolvendo, há várias décadas, com sucesso assinalável, para que possam ser alvo de publicações científicas nacionais e internacionais. De destacar umas dezenas de artigos publicados nos últimos anos com base em projetos realizados por investigadores de centros como o INET (md) e o CESEM, ambos sediados na Universidade Nova de Lisboa.

Mas a importância da investigação nas Artes vai muito para além do trabalho de campo e da publicação de artigos. Serve, em primeiríssimo lugar, como conhecimento que deve ser disseminado através das nossas Escolas.

Por outro lado, a investigação tem e terá um papel preponderante na procura dos melhores e mais seguros caminhos para o futuro das Artes na Madeira. Sempre defendi a Visão Estratégica nas Organizações (públicas ou privadas), mas sem sabermos de onde vimos e onde estamos, como podemos perspetivar o futuro? Só avaliando “como estamos; quais as forças que se podem opor aos nossos objetivos e como podemos lidar com elas; quais as oportunidades que se perspetivam e como podemos aproveitá-las em nosso favor, é que podemos, verdadeiramente, definir o rumo a seguir. Por isso necessitamos de investigadores. Felizmente contamos com quadros superiores nas várias vertentes artísticas na Madeira que poderiam dar um forte contributo para esta missão. Atualmente, os poucos que se dedicam à investigação fazem-no de forma pro bono e por pura carolice e AMOR às Artes. Ao nível nacional, a investigação em artes tem crescido muito graças aos centros de investigação das Universidades, algo inexistente na Madeira, onde nunca foram criados cursos superiores em artes do espetáculo. Rosa Maria Oliveira, do Departamento de Comunicação e Arte de Universidade de Aveiro, em artigo científico publicado em 2012, refere: “A Investigação em Arte e em Educação Artística em Portugal tem aumentado nos últimos anos de maneira substancial. Para isso, contribuíram vários fatores, entre os quais se destacam a inclusão das Artes no Ensino Universitário, (...) e a obrigatoriedade dos novos professores possuírem o grau de Mestre em Ensino para poderem exercer a profissão docente. Refere ainda que a investigação “contribui para o incremento dos conhecimentos nesta área do saber, aumentando exponencialmente a importância da Investigação em Arte e em Educação Artística“. Fica mais um desafio para que as entidades competentes possam refletir sobre a importância da investigação e para que a apoiem, de forma decisiva e assertiva, e assim possamos contribuir para a preservação e divulgação da história das artes na Madeira.

Carlos Gonçalves
Outras Notícias