Informação, desinformação, contrainformação e propaganda

16 Set 2018 / 02:00 H.

Quem detém o poder sente necessidade de o defender a todo o custo. Seja pela força das armas, seja pelo apoio da opinião pública.

Para que isso aconteça, os governos e outras entidades utilizam diversas estratégias e táticas, algumas por demais conhecidas mas que costumam surtir efeito.

Atribuir culpas aos outros e criar inimigos externos, propalar grandes princípios, diabolizar os adversários, declarar defender os pobres os oprimidos, os direitos humanos, o equilíbrio ecológico, a democracia, a verdadeira religião.

Utilizar “idiotas úteis” para fazer os trabalhos sujos, desenvolver e acumular armamento sofisticado para dissuadir propósitos bélicos por parte de terceiros, criar alianças e...conquistar a opinião pública local, regional, nacional e internacional.

Com este último propósito, repetem ideias até a exaustão seguindo o princípio expresso por Gobbels “Mente, mente e algo ficará; quanto maior for a mentira mais pessoas acreditarão nela”.

O verdadeiro poder é invisível, molda as mentes, forma gostos, sugere ideias.

A essência das acções de propaganda consiste em inocular na cabeça das pessoas uma determinada ideia, com a ajuda dos meios de difusão e comunicação, de preferência, sem recorrer à violência.

Noam Chomsky dizia que a imagem do mundo que nos é apresentada não tem a mínima relação com a realidade, uma vez que a verdade está enterrada sob montanhas de mentiras.

Seguindo a cartilha de Gobbels a propaganda deve:

- Simplificar: individualizar o adversário num único inimigo;

- Atribuir ao adversário os erros e defeitos do próprio;

- Exagerar e desfigurar: converter qualquer episódio, por pequeno que seja, numa ameaça séria;

- Utilizar o método do contágio: reunir diversos adversários numa única categoria;

- Vulgarizar: a propaganda deve ser popular e adaptada ao nível de inteligência das pessoas a quem se destina;

- Orquestrar: a propaganda deve limitar-se a um pequeno número de ideias, repetidas constantemente e apresentadas sob diversas perspectivas;

- Os argumentos devem ser verosímeis e surgirem a partir de diversas fontes;

- Renovar: as respostas do adversário nunca poderão contrariar o nível crescente de acusações;

- Silenciar as perguntas para as quais não há argumentos e esconder as notícias que possam favorecer o adversário;

- Utilizar um processo de transfusão a partir de um substracto pré-existente: uma mitologia nacional ou um ódio ou preconceito tradicional;

- Procurar uma aparência de unanimidade: convencer as pessoas que “pensam como todas as outras”.

Estes princípios continuam actuais reforçados pelo aparecimento de sistemas de difusão acessíveis e universais: internet, telemóveis e redes sociais.

Distrair do que é importante, criar problemas para apresentar soluções, aplicar medidas a conta-gotas que seriam rejeitadas de outra maneira, anunciar medidas “dolorosas mas necessárias” para plicar no futuro, tratar as pessoas como crianças ou retardados mentais, usar a emoção em vez da razão, manter as pessoas na ignorância e na mediocridade através de sistemas de ensino ineficazes, promover a mediocridade e nivelar por baixo, reforçar a auto-culpabilidade e conhecer o público melhor do que os próprios se conhecem a si mesmos.

Utilizar a comunicação social para definir, junto do público, o que é notícia e o que não é notícia, através do chamado “efeito CNN”.

Estas e outras tácticas e técnicas fazem com que a realidade em que acreditamos seja, as mais das vezes, o produto da manipulação por parte de quem, efectivamente, detém o poder.

Atenda-se ao facto de apenas seis empresas possuírem, directa ou indirectamente, 95% dos principais meios de comunicação mundiais: televisão, rádio, comunicação escrita, plataformas de comunicação, agências noticiosas, produtoras de filmes, etc.

A fazer-nos pensar.

José Júlio

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