Golpe do Banif

07 Nov 2017 / 02:00 H.

O “centauro” é na mitologia uma força guerreira, uma criatura com cabeça, braços e dorso de um humano e com corpo e pernas de cavalo.

Em torno do slogan «força de acreditar», a partir de 2009, o Banif lançou «a campanha do centauro». Como “banco do regime”, naquela campanha publicitária, para transmitir uma aposta no crescimento e no reforço da confiança no Banif, directa e indirectamente, participaram actuais e anteriores governantes.

Para além da promiscuidade entre poder político e poder económico, a campanha pretendia mascarar problemas internos do banco. Os seus protagonistas no poder quiseram mentir às populações sobre a realidade do banco. Sabiam das fragilidades do “banco do regime” e forçaram a opção expansionista.

Em tempo de crise, ao contrário da generalidade da banca comercial, segundo a auditoria forense encomendada pelo Banco de Portugal, o Banif foi lançando novos activos, concedendo crédito a entidades e pessoas com relações directas ou indirectas com o banco, (“amigos do regime” que eram os predilectos do “banco do regime”), acima do permitido por lei, aumentando o risco de crédito e o risco de concentração.

Aquela «força de acreditar» acelerou o colapso do Banif.

O “centauro” não deixa de lembrar “senhores do banco”, os triunfantes do dinheiro alheio, aqueles que se safaram, os protagonistas do golpe, que aí estão desenvergonhadamente no poder. Mas passou a simbolizar a força bruta no poder, com seu rasto sanguinário, a destruição de tantas vidas, feitas de enormes sacrifícios, de pequenas poupanças.

Edgar Silva

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