Fora de serviço: dirija-se ao aeroporto mais próximo

06 Out 2017 / 02:00 H.

A minha ideia hoje era falar da minha amiga Célia Pessegueiro, mas temo que quando os jornalistas continentais quiserem vir à Ponta do Sol entrevistar a primeira mulher legitimamente eleita para presidir a uma Câmara Municipal na Madeira não possam aterrar no aeroporto e seja preciso a nova autarca embarcar na viagem matinal do Lobo Marinho para dar entrevistas no Porto Santo. Mas tive de mudar de ideias e recorrer, de novo, a um tema que, ao contrário da Célia, já não é novidade.

O encerramento semanal do aeroporto. Sim, semanal, porque nos últimos meses têm sido recorrentes as vezes em que fechou às segundas-feiras. Até que hoje me ocorreu que a solução pode passar por ter nos painéis das chegadas e das partidas um boneco igual ao das caixas multibanco a seguinte frase: “Lamentamos, mas este equipamento está fora de serviço. Por favor, dirija-se ao aeroporto mais próximo”, e arranjar maneira de a mensagem aparecer nos cockpits dos aviões que, assim, escusam de vir enganados para estes lados. Quando o aeroporto estivesse a funcionar, a mensagem poderia aparecer parecida à simpática e conhecida frase “Por favor, introduza o seu avião”.

Cheios de raiva, milhares de passageiros foram de novo abandonados à sua sorte esta semana. Cheios de raiva, os madeirenses que iam aproveitar o feriado ou mesmo entrar na segunda fase do ensino superior, não o puderam fazer e a juntar à ansiedade da entrada na universidade, tiveram de passar a angústia de não saber quando começam a sua nova vida. Cheia de raiva vejo, de novo, as correntes quentes e a temperatura do mar serem faladas pelos mesmos especialistas que debateram os números das autárquicas, que falam do PIB e opinam sobre a remodelação do governo. Não sei onde andaram na escola, mas queria ter andado na mesma, porque aprenderam tudo sobre tudo. Só não sei se lhes ensinaram que o Lobo Marinho não é um autocarro com desdobramento, com robôs em vez de tripulantes e que, assim como os pilotos dos aviões e respetivo pessoal de cabine, não podem trabalhar mais do que um determinado número de horas por dia.

Talvez a solução na nova ação de promoção do “Melhor Destino Insular” possa passar pelo regresso do “Devoto”, do “Maria Cristina” e do “Cruz Santa”, embarcações que durante parte do século XX juntavam pessoas, animais e carga entre a Madeira e o Porto Santo e quando o mar estava de poucos amigos, havia que jogar muita coisa borda fora. Mas era o recuperar de uma tradição que, de certeza, os turistas iam levar no coração (e no estômago) para sempre...

P. S. Parabéns, Célia, por teres, uma vez mais, sido percursora

Cristina Costa e Silva
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