Florestação, Pastorícia, etc...

Gastaram-se fortunas tanto na serra como na parte baixa das ribeiras, mas continuamos sujeitos às aluviões

17 Abr 2018 / 02:00 H.

Sem dúvida que o tema da florestação está na ordem do dia em todo o lado, principalmente onde a desertificação aumenta, onde os incêndios continuam a devastar a floresta e onde a própria floresta tem tido grandes revezes, principalmente com mais recuos do que avanços. Na Ilha da Madeira, temos assistido a decisões ridículas, como resultados de influências de pessoas que nada percebem do assunto, do que propriamente de opiniões de técnicos avalizados como competentes e com a formação necessária para tal e compreende-se porquê. Esses pseudo conhecedores, ou seja pessoas sem qualquer tipo de formação agrária, mas que foram ouvindo umas dicas aqui e outras acolá e de repente julgaram-se “experts” na matéria, começando a tentar influenciar o poder político que se “acagaçou”, porque também nunca teve quaisquer conhecimentos sobre o assunto (vejam-se os secretários ligados ao sector, desde 1976 até agora, com excepção de um, o engº Perry Vidal) e se recusou a ouvir os seus técnicos sobre esta e outras matérias. Por outro lado soubemos que em governos anteriores, houve perseguições a técnicos que exprimiam o seu parecer técnico, só porque não coincidiam com a opinião do secretário. São pessoas estranhas a decidir sobre o assunto, que vão proliferando por aí e vão surgindo professores, técnicos de contas, biólogos e outros que só pelo facto de terem plantado uma árvore com a raiz metida no terreno, já pensam que são conhecedores sobre a matéria e mandam umas “postas de pescada” sobre um tema muito mais complexo do que parece à primeira vista.

Os técnicos Agrários, os Silvicultores, os Florestais, são escondidos e ficam proibidos de falarem. Decide-se abater o gado que pastoreia calmamente nas nossas serras, independentemente de estarem ou não controlados. Foi a eito e só depois de grande insistência do diretor dos Florestais de então é que resolveram abater os animais e indemnizar os seus proprietários. Fizeram-se florestações monumentais, limitando-se a abrir umas covazitas, meter uma planta, uns ferros e uma rede para proteger dos coelhos, pensamos nós. No primeiro ano morriam 90% e nos dois seguintes o resto. Não limpavam os terrenos, em que as cabras poderiam ter um papel muito importante, não semeavam gramíneas para segurar a terra ao solo, não se faziam captações de águas, nem a sua distribuição para regar no Verão. Hoje não há uma planta viva, construíram alguns tanques, mas sem adução de água, montaram-se bocas de regas, bocas de incêndio, mas sem água dentro. Ainda hoje estão à vista, mas só para “inglês ver”. Pensamos que é um caso para o Ministério Público investigar e saber para onde foi tanto milhão que se gastou?

Em qualquer outra secretaria do Governo Regional é feito um projeto, os cálculos, a implantação no terreno, são contratadas empresas de fiscalização e na florestação o que acontece? Adjudica-se pelo preço mais baixo, não há fiscalização e pelos vistos não se cumpre com o caderno de encargos. Os resultados estão à vista. Gastaram-se fortunas tanto na serra como na parte baixa das ribeiras, mas continuamos sujeitos às aluviões porque: não se fez a devida correção torrencial nas cabeceiras das ribeiras, ou melhor, não se deu continuidade a um trabalho iniciado uns anos antes, não se preparou o terreno para a florestação e note-se que essa preparação, não significa apenas a limpeza das espécie exóticas. Há muito mais trabalho a ser feito. Por favor deixem os técnicos trabalharem, não os persigam, não deêm ouvidos a quem não sabe e só procura protagonismo. Ao pensarmos na Floresta várias coisas aparecem na nossa mente: A Floresta propriamente dita, a madeira, as pessoas, os animais,( a carne, o queijo, a lã, a pele), a captação das águas que mais tarde entram pelas nossas casas dentro, as alterações climatéricas, o turismo, a parte social das nossas gentes, tudo numa simbiose que nos ajuda a viver melhor no nosso planeta, a paisagem, o verde que nos rodeia, a limpeza da atmosfera e porque não, a parte económica, também.

Duarte Caldeira Ferreira
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