Fascismo e apartheid social

07 Fev 2018 / 02:00 H.

O Funchal demonstra uma cartografia urbana dividida, em zonas civilizadas, com um cenário cosmopolita e em enclaves turistificados, e com as zonas desordenadas, selvagens, de despejo dos excluídos.

É a cidade dual, de que falava Castells, com os bairros sociais, as zonas altas, as zonas urbanas problemáticas, nas margens da cidade e da sociedade. Aí, de um lado, encontramos, a maioria dos trabalhadores mais desqualificados, compartilhando espaços excluídos, para quem dispõe de baixos rendimentos, para sectores segmentados da força do trabalho.

Do outro lado, espaços residenciais seletos, de serviços e ócios, num mundo cosmopolita, para turistas e estratos sociais da elite. É nessa frente que se concentram os grandes investimentos públicos, a excelência das infraestruturas e dos serviços, o acesso separado ao mar, a apropriação do litoral.

Estaremos assim perante um fascismo societal, nas formas fascistas de sociabilidade ou num “fascismo do apartheid social”, como o classifica B. Sousa Santos, em que na cidade a divisão entre zonas está a transformar-se num critério geral de sociabilidade, que atravessa todas as relações sociais, económicas, políticas e culturais.

O que a cidade do Funchal precisa é de mais e melhor democracia. Por isso é urgente tomar posição e responder de forma ousada e criativa: para que rejeitando o conformismo, possamos ampliar e cumprir a democracia plena.

Edgar Silva

Tópicos

Outras Notícias