Farto desta irresponsabilidade com que se faz política

13 Jul 2018 / 02:00 H.

Este é daqueles artigos que gostava mesmo, mesmo, de me verem concedidos mais caracteres, a ver se finalmente me conseguiria fazer perceber.

Estou positiva e absolutamente farto desta irresponsabilidade com que se faz política, se instrumentalizam Sindicatos, Ordens Profissionais e Associações em benefício de um qualquer projecto, muitas vezes individual mas também empresarial e político.

Não suporto este espartilho fiscal em que nos enfiaram e, sobretudo, a desonestidade com que se vende a ilusão que outros produzem, vendem, pagam e ainda, coitados, têm de andar a fazer cativações às escondidas porque afinal o saque não chega para alimentar todos os lobbies.

Entristece-me profundamente o que, a ser verdade, continua a ser o modus operandi para se conseguir o que se quer e onde parece valer tudo: - desde conhecimento pessoal a percentagens de facturação doadas a partidos políticos. E ninguém se indigna; será que é porque todos recebem?

A cunha é instituição nacional! Tem de ser porque a ideia de exigir que alguém faça o seu trabalho convenientemente só porque é paga para isso não chega. E depois favores com favores se pagam, numa teia de tráfego de influências que parece não ter fim.

Alguém entende que se passem 3 horas numa Assembleia Municipal a discutir uma ausência qualquer do Presidente de Câmara, na procura de um título de jornal? Mas isso é mais importante do que a resolução de tantos e tantos problemas que se vivem nessa cidade?

Percebem que se perca tempo a analisar na praça pública se uma determinada pessoa pode ou sequer deve representar uma classe profissional e ao mesmo tempo organizar uma mesa-redonda de um partido, quando se assiste ao aumento de listas de espera onde estas antes não existiam ou ao absoluto desperdício de recursos (nomeadamente humanos), por via da falta de controlo do trabalho que (não) se anda a fazer?

Justifica-se a que título gastar 2.000€ por cabeça para alguém fazer uma viagem de barco (mais subsídio de mobilidade, que não entra nestas contas!) em face de tantos problemas que enfrentamos, também ao nível da mobilidade?

Compreende-se que, no mesmo momento em que se anuncia um qualquer reforço internacional vindo da Georgia ou do Brasil, se venha pedir um aumento de subvenções para um desporto que se diz profissional, quando se desleixa aquele que é o trabalho nas modalidades amadoras dos clubes que deviam, essas sim, ser subvencionadas?

E o que dizer da intenção de processar uma companhia aérea que tantos quiseram que permanecesse pública e nem um plano de contingência se tem estabelecido para minorar os constrangimentos operacionais do aeroporto?

Nada disto interessa ao pé da discussão sobre se vamos (vão, que a mim ninguém acode!) trabalhar 35 horas e se podemos contratar mais gente para eu poder, enquanto profissional promovido não por mérito mas por antiguidade, trabalhar menos.

Estou mesmo farto!

André Barreto

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