Em frente...

13 Out 2017 / 02:00 H.

Acicatrização das feridas eleitorais são rápidas. Têm de ser.

A vitória “rosa” foi evidente. Tão evidente quanto a derrota dos demais e dos meus. A Madeira ainda se ressente, quatro anos volvidos, dos últimos jorros de Jardim, mostrando a nítida incapacidade do PSD em se reerguer, após a orfandade da “besta política” que ainda mina a sua própria criação. Talvez, porque faltou jogar sal ao chão, para garantir que nada dali refile, à falta dum Héracles que mate a Hidra de Lerna.

E porque o sal e as feridas são dolorosamente incompatíveis, é que as “geringonças” parecem prosperar um pouco por todo o lado, precisamente porque um mínimo de interesses comuns se conjugam perante um enorme espaço de ausência à direita que se agiganta. Daí que agora tardiamente – é certo – Passos Coelho decida sair de cena, como um urso acossado e ferido de morte, em rota de colisão com o país e com o povo que tanto vilipendiou “além da troika”. Provavelmente daqui a uns anos, a história lhe preste algum (justo) tributo, mas a imediata memória semântica que à sua figura se lhe agarra, é a de um obstinado com a expiação dum povo (injustamente) acusado de viver acima das suas possibilidades. Esta memória recente é a que vale, na directa proporção (ainda que ilusória), de haver mais uns trocos no bolso por via deste fandango das alucinadas cigarras de esquerda.

Ora, o conforto de António Costa está a prazo naquele matrimónio esquerdista profusamente apunhalado nas recentes eleições. Já se nota que o casamento de conveniência está pelas peles, e enquanto uns se sentem apunhalados e perdidos na sua identidade, a contraparte está a um passo de dispensar o traído cônjuge para reinar sem dependências e gerir todo o dote.

É neste contexto que surge a emergência da direita reforçada, após o registo “passista” que tem muita fuligem impregnada na pele em jeito de sarna. E Passos saindo, acaba a segurança de Costa e dos demais discípulos abestalhados em plena engorda.

Sim, eu não simpatizo com as maiorias absolutas. Mas pior que uma maioria absoluta de direita é um amplo reviralho de esquerda, sobretudo quando dentro daquela família impossível de lâminas escondidas, martelos e foices em riste, todos se desconfiam até das suas sombras, naqueles ideários revolucionários que tanta jactância lamacenta ao longo da história mostraram ao mundo.

Sim, sigam em frente. Aproveitem mais tutano confiado pelo Povo. Engordem, chafurdem, lambuzem-se. Mas, já agora tentando não dar, muito nas vistas.

Donato Macedo

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